Uma novela, uma pergunta e nenhuma dúvida

que rei sou eu

Nas minhas lembranças, a novela Que Rei Sou Eu? era representada pelo álbum de figurinhas de um amigo. Olha só! Um algum de figurinhas. Tirando as novelas infantis, quantas outras tiveram um álbum assim? Poucas. Que Rei Sou Eu?, na minha cabeça, era aquela novela fora da curva em todos os sentidos: pela ambientação, pelo sucesso estrondoso, por ter se tornado um clássico. Mas uma novela da qual eu não me recordava.

Há pouco, eu assisti o DVD de Dancin’ Days e achei a novela (obviamente) datada e com uma trama bem morna. Quando comprei Que Rei Sou Eu? achei que, talvez, tivesse a mesma impressão e fosse me decepcionar com mais um clássico. Enganei-me. A novela de Cassiano Gabus Mendes é atemporal, tanto em sua trama quanto nos temas que aborda. É uma sátira do Brasil da época, que cai perfeitamente no Brasil de hoje. Somos nós que não mudamos ou a novela que se encaixa em qualquer época? Talvez os dois. De qualquer forma, mostra que os clássicos não têm idade.

Independente da sátira, Que Rei Sou Eu? é dramaturgia das melhores. Tem romance, tragédia e comédia na medida certa.  Cassiano mostra porque é considerado um mestre e ensina também como aproveitar bem cada integrante do elenco. Assista a novela e depois veja a abertura, lendo nome por nome. Você dificilmente encontrará alguém com um papel ruim. Nada sobrou na novela.

conselheiros

 E seria injusto não falar da direção de Jorge Fernando, fundamental para o sucesso da história. Uma direção que tem como maior mérito não se levar a sério, qualidade repetida com êxito pelo diretor em Vamp e Tititi. Fazer uma novela séria poderia ter sido fatal. Vale também para a interpretação do elenco, com destaque para os conselheiros e a magnífica Tereza Rachel, com o melhor papel de sua carreira na TV e, pra mim, um dos melhores papeis femininos das telenovelas.

Voltando ao DVD de Dancin’Days… Mesmo não tendo visto a novela, consegui perceber alguns cortes bruscos na edição, coisa que em Que Rei Sou Eu? notei apenas uma ou duas vezes. Óbvio que uma novela que vira DVD sofre um corte violento, mas dá para cortar deixando o mínimo da estrutura da trama. No DVD de Tieta, por exemplo, o romance da protagonista com Osnar ficou prejudicado pela falta de algumas cenas. Que Rei Sou Eu? é , até agora, a melhor adaptação para DVD, ficou enxuta e flui bem.  É uma novela com interrogação no título, mas que termina sem deixar nenhuma dúvida: é, realmente, uma das melhores histórias já produzidas em nossa TV.

Livro detalha trilhas sonoras de novelas

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Foi lançando, esse mês, um livro que é praticamente uma bíblia para os amantes de trilhas sonoras de novelas. ‘Teletema – A história da música popular através da teledramaturgia brasileira’ é do jornalista Guilherme Bryan com Vicent Villari, parceiro de Maria Adelaide Amaral em seus últimos trabalhos e um apaixonado por telenovelas e temas musicais. O livro é dividido por eras, de acordo com o conceito musical e comercial de cada época, e comenta trilha por trilha, falando sobre as canções de destaque e o contexto delas na música popular.

É tão bem detalhado que esse é apenas o primeiro volume, vai de 1964 a 1989. Destaque para a lista que encerra a publicação, com a vendagem de cada trilha lançada no período. É um livro que estava faltando e é obrigatório para quem se interessa pelas músicas que tocam nas novelas. E nos ajuda a relembrar que nossas trilhas, e nossas músicas, já foram bem melhores.

Serviço:                                                                                                                                  Teletema – A História da música popular através da teledramatugia brasileira  / Autores: Guilherme Bryan e Vicent Villari / Editora Dash / Preço sugerido: 69,90

Qual é mesmo o crime de ‘O Sexo e as Negas’?

o sexo e as negas

Há cerca de dois meses no ar, O Sexo e as Negas, no início, fez mais barulho pelo o que não é. Em meio a tempos politicamente corretos, nos quais até uma ironia fina pode virar ofensa para aqueles que não conseguem interpretá-la, a série recebeu duras críticas antes mesmo de estrear. Acusaram-na de preconceito, exploração sexual e até um boicote foi incitado pela internet. O que vemos no ar são quatro mulheres que superam as dificuldades com alegria, atitude e muitos sonhos.

Bem interpretadas por Corina Sabba, Lilian Valeska, Karin Hills e Maria Bia, as protagonistas sofrem, sim, preconceito, reclamam do cabelo e passam por situações inspiradas na realidade. Seria hipocrisia contar a história de quarto negras sem falar do preconceito, explicito ou velado, tão presente no nosso país. Mas as negas que vemos na série não são apenas isso. Elas também transam, trabalham, debocham e lutam por uma vida melhor. Como fazem quaisquer mulheres, independente de raça, credo ou opção sexual.

O sexo e as Negas fala, antes de tudo, de sentimentos. Do amor mal resolvido, do sonho com o príncipe encantado, da esperança por uma vida melhor, da amizade que faz as coisas parecerem mais fáceis. E, além de falar de tudo isso, comum a todos nós, ainda enaltece e coloca no centro do palco quarto negras lindas. A série pode ter sido idealizada por um loiro, mas tem a alma negra, e talvez, por isso, tenha sofrido tanto preconceito antes mesmo de ser vista. Afinal, qual é o crime em ter, como protagonistas, quarto mulheres independentes e desbocadas, que transam quando querem e com quem querem?

Polêmicas à parte, Miguel Falabella firma-se como um dos melhores autores de série do país. Entrega, como de costume, um texto cheio de deboches e ironias, mas também repleto de reflexões e, até mesmo, certa doçura. Há, sim, algo de muito bonito na história dessas quarto mulheres que, ao final de cada episódio, viram divas e mostram que podem ser o que quiserem. Até mesmo superiores a tudo isso.

Alto Astral devolve normalidade para o horário das sete

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Depois de duas novelas que tentaram inovar (Além do Horizonte e Geração Brasil), mas acabaram não fisgando o público, a Globo resolveu apostar no básico e colocou no ar, há quase duas semanas, a novela Alto Astral. Investindo forte no romance do casal central, a trama mostrou logo de cara quem são os bons e os maus. A parte espírita da novela, muito pouco explorada nas chamadas antes da estreia, talvez por precaução, também logo deu as caras, desde as primeiras cenas.

Sem ser abordada com profundidade, até porque esse nem é o intuito, esse mote religioso da trama, por enquanto, é composto por fantasminhas camaradas. A forma como está sendo conduzida, tanto pela direção quanto pelas interpretações, buscando o máximo possível de leveza, deixa Alto Astral quase com cara de comédia romântica da Sessão da Tarde. E isso pode ser muito bom para o momento pelo qual o horário das sete passa.

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E é uma certa leveza, ou talvez maior sutileza, que falta ao personagem de Thiago Lacerda. Não é nem tanto a interpretação do ator, mas pela forma como a trama dele é conduzida e as atitudes do personagem, ruim desde criancinha. Ele fica quase over em alguns momentos. Por outro lado, Cláudia Raia, com uma personagem que é a sua cara e, por isso, na zona de conforto, consegue iluminar todas as cenas das quais participa. Samanta precisava mesmo de uma atriz que, ainda que não traga novidades, jogue as cenas para cima, no limite do exagero, tirando a novela da normalidade em alguns momentos.

Alto Astral é toda certinha. Tem uma direção correta, fotografia bonita, boas interpretações (Sérgio Guizé, um acerto, ótimo como protagonista e trazendo frescor), uma abertura muito bem feita e uma série de outros itens que são, na verdade, tudo aquilo que uma novela precisa ter. E talvez seja isso mesmo que o horário esteja precisando: das coisas no seu devido lugar. Isso, Alto Astral garante desde o seu primeiro dia.

Na Trilha do Som: Império Internacional

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Império Internacional, que tem tiragem inicial de 50.000 cópias, é uma das melhores trilhas internacionais dos últimos tempos. A de Amor à Vida também era boa, mas deixou de fora cinco importantes canções que tocaram na novela, o que acaba desmerecendo um pouco o CD. A seleção da história de Aguinaldo Silva ainda tem artistas nacionais cantando músicas de outros países, e isso parece inevitável hoje em dia, mas não tem em quantidade exagerada, como Guerra dos Sexos Internacional, por exemplo. O CD  de Império tem cara de trilha internacional de novela das nove, ou seja, é boa. Além da música de abertura, que também está no nacional, e deveria ter ficado apenas lá, o disco tem outros destaques, como Magic (Coldplay), Sing (Ed Sheeran), Demons (Imagine Dragons), Almost Home (Moby), Love Someone (Jason Mraz) e Miss You Love (Silvechair), todas devidamente tocadas na novela. A trilha traz também a deliciosa Marilyn Monroe (Pharrell Williams), a música das dancinhas de Maria Marta (Lilia Cabral). Como pontos “negativos”, eu cito Quelqu’um M’a Dit (Carla Bruni), que já tinha sido destaque em Belíssima, na mesmíssima versão, e Somewhere Over The Rainbow, tocada em diversas novelas nas mais diferentes versões, o que já está bem cansativo. imperio internacional A capa traz o Comendador e ficou sombria como o protagonista. Não ficou feia, mas a impressão que eu tenho é que as capas dos CD`s de Império estão trocadas. Essa combina mais com a trilha nacional e a capa com Leandra Leal deveria ilustrar o Volume 2 (a ser lançado na próxima semana), que traz músicas mais populares. Já Maria Marta, que está na capa deste último CD, combina mais com a trilha internacional. Um cuidado que a Som Livre poderia ter tido, mas que não tira os méritos da boa trilha que a novela das nove tem.

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Lista do “Melhores do Ano” mostra falta de cuidado com festa da firma

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O Melhores do Ano, premiação do Domingão do Faustão, sempre foi uma espécie de festa da firma transmitida na TV. O fato de só contar com concorrentes da própria empresa é até compreensível, visto que, no Brasil, as emissoras não têm o hábito civilizado de receber artistas de outras emissoras com naturalidade. Mas quando o prêmio esquece atores do próprio canal é porque ele está prestes a perder o restinho de dignidade que lhe resta.

A lista dos indicados de 2014 traz um fato grave: em nenhuma das sete categorias, nas quais era possível, houve sequer um indicado da novela Em Família. A trama ficou muito aquém do esperado em vários quesitos, é verdade, mas não podemos deixar de reconhecer que trouxe boas atuações, como as de Vanessa Gerbelli, Marcello Melo, Humberto Martins e até a própria Júlia Lemmertz. Melhores do que alguns dos indicados.

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Não sabemos ao certo como é realizada essa primeira triagem, feita por meio do voto de funcionários da Globo, se é espontânea ou através de uma lista. Poderíamos dizer que o erro foi por falta de memória, já que a maioria dos indicados está no ar ou estava até pouco tempo, mas os votantes lembraram-se de Amores Roubados, por exemplo, exibida no começo do ano.

Outro fato a se destacar é a falta de categorias para melhor novela e melhor série. Se é possível elegerem os melhores atores, também cabe a eleição dos melhores programas. A eleição de um em nada desmerece o outro. Até porque, no Melhores do Ano, até Fernanda Montenegro já foi derrotada. É a festa da firma, com votos de torcidas, mas inegavelmente interessante de ser visto. Só podia ser melhor.

Clique aqui para ver a lista completa dos indicados ao prêmio, que será exibido no dia 28 de dezembro.

A Fazenda vive prova de resistência própria

Em sua sétima edição, o reality A Fazenda, se fosse uma pessoa, ganharia todas as provas de resistência de qualquer programa do tipo.  Com uma audiência ok, repercussão baixa e sem se pagar, a atração está no ar apenas por teimosia de parte da diretoria da Record. Uma outra parcela defende o seu  encerramento desde o ano passado. Não há como negar que a edição do reality melhorou muito desde a primeira exibição (acredite, já foi bem pior!), mas ela ainda é lenta e repetitiva para esse tipo de programa.  Hoje, esse já é não é o pior dos problemas. Existem outros dois que eu considero cruciais para a derrocada da atração. O apresentador

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Britto Junior nunca se encontrou à frente do programa. Sem carisma e jogo de cintura, o apresentador já viveu momentos constrangedores ao vivo, sendo ignorado pelos participantes ou discutindo com o seu ponto eletrônico.  O roteiro já é ruim e ele consegue ser ainda pior quando improvisa, perdendo a chance de valorizar os momentos de emoção e esvaziando a tensão quando ela é necessária. Deveria ter sido trocado já na segunda edição. *Rodrigo Faro chegou a apresentar a versão para anônimos, mas também não se destacou. O elenco

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Em um reality que se propõe a confinar famosos, o mínimo que o público espera é ligar a TV e reconhecer algumas personalidades de sucesso. A cada edição, o número de pessoas realmente conhecidas foi diminuindo, atingindo seu ápice no programa que está no ar. O público, certamente, sente-se enganado. “Compra” uma coisa e leva outra. Fica difícil localizar os famosos no meio daquele bando de anônimos.