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A Fazenda de Verão chega ao fim com cara de inverno

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Criada com o objetivo de conquistar o público do Big Brother, a Fazenda de Verão não conseguiu prender nem aqueles telespectadores que assistem a versão do reality com celebridades. A culpa, em grande parte, foi da falta de estratégia da emissora, que preparou um programa às pressas, sem a produção adequada e com a estreia em um horário ingrato, batendo de frente com a novela das nove da Globo, Avenida Brasil, na época.

Apenas o confronto com uma das novelas de maior repercussão dos últimos tempos já seria uma estratégia kamikaze, mas o programa estreou ainda com aquela cara de improviso, parecendo que a emissora apenas tinha colocado uns objetos coloridos na fazenda para mostrar que a estação era outra.  O elenco não fez feio, embora tenha causado um estranhamento inicial pelo acúmulo de tipos barraqueiros, e teria se destacado em um reality com dinâmica mais competitiva, como o BBB. Alguns tipos escolhidos batem de dez a zero em certos participantes selecionados por Boninho.

A Fazenda de Verão serviu, pelo menos, para que os editores do programa pudessem avançar um pouco na qualidade e para que a direção enxergasse que Britto Junior não é o apresentador ideal para este tipo de produção, embora eu ache que Rodrigo Faro também esteja longe de sê-lo. Este, pelo menos, consegue deixar o reality mais leve e ágil e deve continuar na versão com celebridades, uma decisão acertada da emissora.

Com a vencedora  praticamente definida desde o início do programa (Angelis foi adotada pelo público depois de ter quase a casa inteira contra ela), a produção se viu ainda com outro problema: o romance da preferida com uma mulher, Manoella. Com a batata quente nas mãos, a Record jogou mal: cortou algumas cenas (não necessariamente de beijo ou pegação) que comprometeram o entendimento, e a análise, de quem não acompanha além da TV.  Talvez tenha sido um pouco tradicional no começo do romance para um público que é muito mais moderno do que o do BBB, por exemplo, que tem mais donas de casas entre seus votantes. Perto do final, a emissora foi se ajustando e, na eliminação de Manoella, o apresentador chegou a perguntar como ficaria o romance aqui fora. É realmente difícil tentar esconder a realidade em um programa que traz esta palavra em sua definição.

Uma próxima edição com anônimos ainda é incerta, mas as lições a serem tiradas são muitas. A principal delas é uma que a Record vem esquecendo nos últimos tempos: a importância do planejamento. Dessa vez,  A Fazenda pode ter sido de verão, mas os índices de audiência ficaram aquém do esperado e a repercussão esteve próxima de zero grau. Mais gelada, impossível.

Técnicos fazem papel da emissora e divulgam ex-participantes do The Voice

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As comemorações do dia do Senhor do Bonfim, em Salvador, esse ano contaram com um presença especial: Ju Moraes, uma das finalistas da primeira edição do The Voice Brasil. A participante foi a convite de Carlinhos Brown, que, em outras oportunidades, já teve a parceria de diversos cantores que passaram pelo programa. Ju Moraes cantará também no carnaval com sua mentora na atração, Claudia Leitte, que, na semana passada, dividiu uma música com Thalita Pertuzatti, outra finalista, em um show no Rio de Janeiro. Enquanto os técnicos do reality, e até outros cantores, fazem de tudo para divulgar e dar oportunidade aos artistas, a emissora que exibiu o The Voice dá pouco espaço a eles, perdendo o momento de ebulição pós-programa.

Uma das maiores dificuldades de emplacar esse tipo do reality no Brasil é o “preconceito” que os participantes sofrem das emissoras que não exibiram o programa. Com este entrave, eles, na maioria das vezes, ficam limitados à rede que os lançaram. O problema torna-se ainda maior quando nem essa emissora dá o espaço necessário para que eles possam divulgar suas músicas.

A Globo já cometeu o mesmo erro com o Fama, programa cujos finalistas não emplacaram uma carreira de sucesso e seus CD`s mal foram divulgados. Os participantes que se deram bem, como Thiaguinho e Roberta Sá, do Fama Bis, conseguiram por méritos próprios, alguns anos depois. Marina Elali e Ivo Pessoa, do Fama 3, que tiveram inúmeras músicas em trilhas de novelas, foram casos raros em que a emissora abriu um certo espaço.

O burburinho pós-programa, quando as torcidas ainda estão em polvorosa, é o momento certo para a divulgação do trabalho dos participantes. É agora que, pelo menos os finalistas, deveriam circular pelos programas da emissora. O movimento, dessa vez, parece estar diferente pelo menos fora dela. Os técnicos se tocaram de que divulgar os participantes é divulgar também a atração. E, com isso, todos saem ganhando.

BBB 13 perde protagonistas na primeira semana

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O programa mais condenado e criticado da TV brasileira voltou pela décima terceira vez e, embora não tenha a audiência de outrora, ainda é dono da maior repercussão nas redes sociais todos os anos. É muito cedo para julgar esta edição, mas, nestes poucos dias, já tivemos mais acontecimentos do que no BBB6 inteiro. Tivemos, inclusive, a saída de seus protagonistas, o que pode ser o ponto de partida para a construção de uma outra história ou para o marasmo total.

O primeiro a abandonar o barco foi Kleber Bambam, vencedor da primeira edição, que estava capitalizando grande parte das atenções. Com o mesmo jeito espontâneo de sempre, o participante voltou mais espertinho e pulou de uma roubada que poderia destruir a imagem que conseguiu na companhia da boneca Maria Eugênia. Risco que os outros ex-participantes também correm, principalmente Dhomini, um dos melhores jogadores de todas as edições, que conta novamente com uma ajudinha da edição, como pudemos observar no programa de hoje.

A outra protagonista, Aline, foi a participante mais citada e discutida na internet até agora, e a atenção que despertou por seu jeito explosivo trouxe junto uma grande rejeição, que a levou a ser a primeira eliminada. O paredão foi dela com ela mesma. Perdeu a barraqueira em detrimento à grande atração que era para o programa de entretenimento que é o reality. O público que vota no BBB é implacável, vota com paixão, e geralmente esquece que personagens como a eliminada são necessárias para movimentar os quase três meses da atração.

De resto, está tudo lá: a edição super caprichada, mas tendenciosa até não poder mais; o discurso sem pé nem cabeça de Bial, que há alguns anos faz o gênero ‘velho assanhado e sem noção’; as provas do líder confusas e mal feitas; os merchans que já sabemos de cor; e uma produção que, não à toa, faz do BBB o reality mais longínquo do país. Amado e odiado na mesma proporção, e por isso mesmo assunto obrigatório de todo começo de ano, o Big Brother parece ser “brindado” contra qualquer coisa que abale seu sucesso. Vamos ver se desta vez, sem os seus protagonistas já na primeira semana, a sorte será a mesma.

Mulheres Ricas tem segunda temporada mais “pobrinha”

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Quando estreou, no começo do ano passado, Mulheres Ricas causou certo estranhamento por trazer uma realidade exagerada na maquiagem. Algumas situações fakes do reality show, combinadas com o luxo ostensivo para um país como o Brasil, poderiam sofrer rejeição do público, mas aconteceu o contrário: aos poucos, o elenco foi conquistando o telespectador, que fez do programa um sucesso, principalmente, de repercussão.

O maior erro da segunda temporada foi fazer um troca brusca em seu elenco. No primeiro episódio, apenas Narcisa estava de volta, acompanhada por quatro novas participantes que não mostraram logo de cara a que vieram. O ajuste poderia ter sido mais discreto, com a mudança de uma ou duas protagonistas e a manutenção daquelas que mais deram certo. Na estreia da segunda temporada, o público teve que se familiarizar com essas novas mulheres e foi quase como ver um novo programa. Pior do que o anterior.

Cozete parece ter sido escalada para ser a nova Lydia, aquela com mais classe e que trabalha; Mariana, que quer ser atriz, revelou-se uma boa personagem para o programa, principalmente pelos conflitos com o marido; Aeileen começou difícil de aturar, mas a sua falta de noção, e o investimento em uma carreira para a qual não tem talento, renderam boas cenas; Andréa resolveu apostar todas as suas fichas no reality e fará de tudo para aparecer do primeiro ao último episódio; já Narcisa é aquela personagem que dispensa comentários, é quase como um núcleo cômico totalmente desligado dos outros, e que às vezes cansa.

O fato é que o elenco da primeira temporada era mais carismático, tanto é que a maioria delas voltará em participações especiais, uma tática que a Band usou quando viu que esse elenco não renderia o que eles esperavam. A direção teve tempo ainda de resgatar a protagonista da primeira edição, Val Marchiori. Seria burrice, e um risco muito grande, não ter a polêmica socialite de volta.

O programa retornou melhor produzido, com uma fotografia bem cuidada e imagens bonitas, mas manteve com alguns defeitos do ano passado, como a edição que repete cenas à exaustão, o que faz com que elas percam grande parte da graça quando são exibidas pra valer. A futilidade declarada continua a mesma, e é esse o seu diferencial em relação aos realities que querem ser sérios. Mesmo que tenha voltado com uma versão mais “pobrinha”, Mulheres Ricas é sempre diversão garantida. É só não levar a sério.

Maior qualidade de The Voice é trazer opção para tardes de domingo

As primeiras chamadas do The Voice Brasil com seus jurados foram de deixar os telespectadores com vergonha alheia. Assistindo as imagens, a impressão era de que boa coisa não ia sair dali. Após o primeiro programa, é possível dizer que o resultado foi acima de esperado, principalmente porque acabamos não aguardando muita coisa.

Além de trazer uma luz para as repetitivas tardes de domingo, o The Voice trouxe para o Brasil uma nova dinâmica para os batidos programas de calouros. Está aí a repercussão zero de Ídolos para provar que esse tipo de programa merecia uma sacudida. O programa conta também com a caprichada produção da Globo, que ajuda muito nessa hora.

Os jurados ainda precisam percorrer um longo caminho para fazer alguma diferença na atração. Daniel, Claudia Leitte, Lulu Santos e Carlinhos Brown não chegaram a ser um desastre, mas se mostram pouco à vontade, pouco entrosados e pouco dispostos a dizer coisas realmente relevantes para os candidatos. Um jurado marcante faz muita falta para esse tipo de programa. Tiago Leifert fez uma figuração e, escrevendo esse texto, eu quase esqueço que ele faz parte do The Voice.

Vale destacar o ecletismo dos concorrentes, que foram do reggae ao sertanejo, passando por um candidato índio e por uma americana, o que deu um tom especial ao programa. Não chegou a empolgar, mas, para quem está acostumado a ter que aturar os programas de domingo, soa como um pequeno alento.

Zebras sempre dão as caras nos realities

Acontece, nesta quarta, a final de A Fazenda 5. Com a classificação de Léo Áquila e Felipe Folgosi, a disputa mais aguardada desta edição acabou antecipada, o que resultou na eliminação de Nicole Bahls. Completando o trio de finalistas, a grande favorita desde o começo: Viviane Araújo.  Enquanto Felipe já esteve em algumas roças e tem a simpatia de parcela do público, Léo Áquila é a grande zebra desta edição. Ela tem o terceiro lugar garantido, mas dificilmente será lembrada por ter feito algo significativo enquanto esteve confinada. Confira outras zebras que acabaram na final:

André Gabeh

Chegou na final do primeiro BBB sem ter disputado um paredão sequer. Era divertido, mas seria eliminado se tivesse ido para a berlinda antes com outros participantes, como Leka.

 

Manuela

Teve grande participação no programa por causa do romance com Tyrso, mas o público gostava mais do cozinheiro do que dela, que se envolveu também com Fabrício. Chegou à final porque venceu as provas, tirando a vaga da aeromoça Cida.

 

Carol

Era considerada da turma do “mal”, que separou Alemão e Íris, na sétima edição. Só ficou porque sobrou, já que seus amigos foram eliminados um a um, e teve apenas 9% dos votos  na final.

 

Os finalistas de A Fazenda 2

Um dos piores elencos de realities só poderia resultar em uma das piores edições do gênero. Com tanta gente apagada, a final foi entre Karina Bacchi e André Segatti. Menos emocionante, impossível

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A Fazenda faz péssima jogada e perde oportunidade de conquistar público

A quinta edição de A Fazenda , depois de um começo morno, pode ficar ainda pior.  Após duas edições relativamente interessantes, esse ano o reality sobreviveu até agora graças aos ataques de Nicole e o ar rabugento de Gretchen. Esta última abandonou o programa em uma cena que já entrou para a história dos realities e deu à emissora a chance de turbinar o elenco e causar alguma polêmica. Porém, sem conseguir convencer nenhuma “celebridade “ a entrar no jogo, a direção transferiu a escolha para um dos participantes que, em uma decisão óbvia, invalidou a roça da semana, impedindo o ingresso de um novo jogador. Que nem existia, diga-se de passagem.

Gracyanne Barbosa chegou a aceitar, Juju Salimeni foi cogitada, mas o fato é que a emissora não conseguiu ninguém relevante para entrar em A Fazenda. Com índices mornos e pouca repercussão, o programa sofre com tipos inexpressivos como Felipe Folgosi e Diego Pombo. Aliás, é o segundo ano consecutivo com um elenco masculino que não acrescenta nada ao jogo. A vitória, mais uma vez, merece parar nas mãos de uma mulher.

A edição de imagens este ano está um pouco melhor, mais dinâmica e com menos repetição, mas um dos grandes problemas continua sendo o apresentador Britto Junior. Sem carisma e com um discurso mais vazio que o dos participantes, o jornalista deixa de valorizar momentos que poderiam render mais e tenta alongar assuntos que deveriam passar batidos. Outro grave pecado do reality foi ter criado, tentando dinamizar o jogo, a prova da chave. Após ter colocado em cheque a idoneidade do BBB, a Record deixou alguns telespectadores com a pulga atrás da orelha com a novidade, que já salvou participantes imprescindíveis como Nicole e agora deu a Felipe o poder de vetar a entrada de um novo jogador.

O fato é que não fez bem ao já combalido programa cancelar a roça que teve a formação mais tensa até o momento, com direito a empate quádruplo.  Haja invenção agora para fazer o reality sobreviver tantos dias sem uma eliminação e suas conseqüências, que movimentam a casa. Não há Téo Becker que anime uma fazenda inteira, até porque o telespectador já foi feito de bobo muitas vezes nesta edição. É bom a Record já começar a pensar em uma nova forma de divulgação para o próximo ano. A Fazenda está longe de ser o reality de verdade que tanto anunciou.