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Hebe realiza sonho da imortalidade

Ela sempre dispensou apresentações. Falar em Hebe Camargo é falar na TV brasileira, veículo do qual ela fez parte desde o primeiro dia, ou segundo, já que faltou à cerimônia de inauguração por causa de uma paixão. Hebe foi sempre assim: espontânea, sem fazer gênero e sem papas na língua, e com isso chegava a todos os públicos. Com sua energia e alegria de viver, parecia não ter idade. E parecia também que ia durar para sempre. Fisicamente, não foi possível.

Podia ter feito o gênero senhora, mas sempre falou e fez o que quis, e nunca espantou anunciantes por isso, pelo contrário. Foi muito amada e respeitada justamente por sua honestidade com o público e pelo carinho que demonstrava por seus convidados e pela classe artística no geral. Dificilmente um convidado não se sentia à vontade em seus programas, que eram gostosos de serem vistos pela naturalidade que ela transmitia.

A importância de Hebe Camargo para a TV foi sempre tão clara que ela nunca foi tratada como concorrente por nenhuma outra emissora. Ela tinha trânsito livre por todas as redes, inclusive recebendo constantemente um tratamento muito carinhoso da Rede Globo. Esteve nos últimos anos na RedeTV!, mas morreu em casa: na quinta, tinha assinado um contrato para retornar ao SBT.

Há alguns meses, a apresentadora, que não respondia mais ao tratamento quimioterápico, realizava terapias paliativas, mas não divulgava sua real situação e sempre aparecia com um sorriso no rosto. É essa imagem positiva que vai deixar. Pelo tamanho de sua importância para a televisão e pela história que construiu, Hebe será sempre lembrada como a maior apresentadora do país. Nunca, em nenhum texto sobre a história da TV, há de faltar o nome de Hebe Camargo. E, com isso, morre fisicamente realizando o sonho de muitos: ser imortal.

Domingo Espetacular perde ao virar arma da Record contra inimigos

A Record usou, mais uma vez, o Domingo Espetacular para atacar um “inimigo” da emissora. A “vítima” da semana foi o presidente do Ibope, acusado de uma série de falcatruas e desvios. As acusações vieram à tona justamente na hora em que a emissora paulista enfrenta um de seus piores momentos de audiência. Com investimentos incorretos ou falta deles, mudanças precipitadas na grade e ausência de planejamento, a Record viu o SBT alcançá-la na briga pelo segundo lugar.

Ao envolver seu principal jornalístico dominical em uma briga particular, o canal faz com que ele perca cada vez mais credibilidade. A emissora, no geral, sai maculada com esse tipo de atitude, na qual deixa de passar informação relevante ao telespectador e abre espaço para uma birra própria. Ironia do destino, ou não, o programa teve uma das piores audiências de sua história. A Record comprou a briga errada, e ainda colocou quem não tem nada com isso no meio. O jeito foi mesmo mudar de canal.

Naturalidade de Catia Fonseca é reconhecida por outras emissoras

Na última semana, surgiram boatos de que a RedeTV! e a Band estariam interessadas em Catia Fonseca, apresentadora do Mulheres, da Gazeta. Com a renovação do contrato de Regina Volpato, ela dificilmente irá para a RedeTV!, mas a possibilidade da mudança para a Band ainda existe. O interesse das emissoras por Catia coroa sua boa fase na casa atual, onde pode usar e abusar de sua naturalidade.

Catia surgiu na Rede Mulher, passou pela Gazeta e se tornou conhecida do grande público quando foi apresentar o Note e Anote, na Record, para substituir Ana Maria Braga. A apresentadora, desde o começo, soube usar a simplicidade a seu favor, aproximando-se de seu público alvo por ser como ele. Catia conversa com seus entrevistados como se estivesse no sofá de casa, tira as dúvidas mais básicas com a maior naturalidade possível e evita claramente explorar a tragédia alheia.

Há alguns anos, Catia foi injustamente tirada do Note e Anote e substituída por Claudete Troiano, a quem falta essas características. A apresentadora chegou a ficar mais de um ano fora do ar, até ser chamada pela Gazeta para apresentar o Mulheres. Em uma emissora menor, Catia tem mais possibilidades de ser espontânea, mas talvez seja hora de um novo desafio. A Band está mesmo precisando de um programa carismático para as suas manhãs.  E Catia merece há tempos ser ainda mais reconhecida.

Em tempo… O interesse das outras emissoras é também por Mamma Bruschetta, personagem incorporada por Luís Henrique Benincasa, que conversa com Catia sobre o mundo dos famosos. Longe do veneno de outros “fofoqueiros” da TV, a exótica personagem faz uma bela dupla com a apresentadora e separá-las seria o mesmo que tirar o Louro José da Ana Maria Braga. Foi Catia, aliás, quem amansou Mamma, que já foi bem venenosa. A apresentadora pediu que o ator deixasse a fofoca gratuita de lado e transformou o momento deles em um bate-papo descontraído.

Na Moral é bem feito mas não empolga

Não dá pra esperar muito de um programa de debate com menos de meia hora de duração. Se aqueles que duram o dobro já não chegam a lugar nenhum, o que dizer de Na Moral, nova atração de Pedro Bial? Extremamente marcado pelo Big Brother Brasil, o jornalista leva para seu programa muitos cacoetes do reality, como sua insistência em aparecer descolado demais e acabar causando vergonha alheia.  Por outro lado, o apresentador usa sua proximidade com o grande público para tentar deixar o Na Moral mais fácil de ser digerido. Consegue algumas vezes, mas no geral não empolga.

Esta semana, a atração já ajustou alguns problemas iniciais, como a edição. O recorte em um programa deste tipo será sempre prejudicial, mas ele já não está tão duro como o do primeiro dia. Até o final da temporada, provavelmente novas mudanças devem ser feitas, e uma delas precisa ser a aposentadoria daquele tapete que faz parte do cenário.

Quando não tenta filosofar demais, Pedro Bial mostra o jornalista que é, como nas matérias externas, na maioria mais interessantes do que o debate raso do estúdio. Na Moral é uma oportunidade para Bial se distanciar do BBB, pelo menos nessa época do ano, e deixar claro que há vida pra ele fora do reality. Para isso, ele terá que abandonar sua mania de fazer discursos finais. No último programa, poetizando para concluir o assunto debatido, o jornalista deixou muita gente esperando ele dizer quem seria o eliminado da semana.

Troféu Imprensa mostra que país necessita de premiação séria

Gabriel Braga Nunes (Leo, Insensato Coração) concorrendo ao prêmio de melhor ator de 2011 com Chay Suede (Tomás, Rebelde) e Caio Castro (Antenor, Fina Estampa). E nem sinal de Marcelo Serrado. Seria difícil de acreditar se alguém contasse, mas realmente aconteceu, e foi no Troféu Imprensa 2012, apresentado por Silvio Santos no SBT. É louvável o esforço do empresário em reconhecer os talentos do país, mas realmente não dá para levar a premiação a sério.

O Troféu Imprensa começa errando no júri. Pessoas com autoridade para votar, como José Armando Vannucci, dividem a bancada com figuras como Leão Lobo, que só está ali para tumultuar. Ele chegou a dizer que o autor Aguinaldo Silva é uma mentira. O novelista pode ter perdido a mão em Fina Estampa, mas é um dos melhores autores do país, com trabalhos memoráveis como Tieta, Pedra sobre Pedra, Fera Ferida e Senhora do Destino.

Ainda no prêmio, Roberto Carlos ganhou como melhor cantor mais uma vez, e deve ter umas três caixas de troféu para retirar lá no SBT. Roberto é, sim, um clássico nacional, mas ganhar como melhor cantor de 2011 é falta de discernimento. E por pouco Fina Estampa não vence Cordel Encantado como melhor novela do ano. O sistema de votação do programa, onde apenas três votos fazem um vencedor, é totalmente equivocado.

E não é apenas o Troféu Imprensa que erra a mão. Outro prêmio grande, o da revista Contigo!, também arrisca ao deixar a primeira fase nas mãos do público. Não que as pessoas não tenham condições de votar, mas falta um prêmio dado por críticos. A tendência do telespectador é premiar o personagem mais popular, que não necessariamente é o melhor interpretado. No Melhores do Ano, no Domingão do Faustão, em 2007, Taís Araújo (Ellen, Cobras & Lagartos) venceu Fernanda Montenegro (Bia, Belíssima) e Lilia Cabral (Marta, Páginas da Vida). Esse ano, entre as concorrentes a melhor atriz do Prêmio Contigo! está Paola Oliveira (Marina, Insensato Coração), e aí não é preciso nem comentar.

O prêmio da APCA, Associação Paulista de Críticos de Arte, é o que mais se aproxima do ideal, embora não tenha grande destaque. Pela qualidade de nossas produções e o talento de nossos atores, merecemos uma premiação que se torne referência nacional e tenha o tamanho de nossa televisão.

 

Mulheres Ricas termina com alta repercussão

Mulheres Ricas foi um programa que nasceu com uma difícil missão: cobrir as férias do CQC, atração de maior repercussão na Band. O reality acabou causando um estranhamento inicial, tanto pela proposta de acompanhar a vida de cinco mulheres da alta sociedade, três delas praticamente desconhecidas, como por algumas cenas artificiais e a edição mal pensada. Nada que o tempo não desse um jeito. Os telespectadores foram se familiarizando com as cinco peruas, entraram no clima do programa, e ele acabou se tornando um dos campeões de repercussão neste início de ano.

Não que Mulheres Ricas tenha se tornado um ótimo reality, as cenas ensaiadas continuaram e a edição poderia ter sido mais ágil, mas suas participantes caíram na boca do povo. A protagonista foi sem duvida Val Marchiori, que não perdoou um deslize de suas companheiras e foi responsável pelos melhores momentos dos 10 episódios. Narcisa, que prometia ser a grade atração, teve cenas engraçadíssimas, mas também esteve nas passagens mais chatas, e foi a que menos mostrou o seu dia a dia. Débora Rodrigues fez um contraponto importante, que trouxe um pouco de realidade no meio das extravagâncias. Enquanto Brunete se revelou a participante mais meiga, e divertiu com sua inocência, Lydia se mostrou uma mulher firme e pé no chão.

O episódio final teve a festa de Val como destaque, mas foi muito fraco para uma despedida. Armaram tantas cenas, que não custava nada terem produzido um encerramento melhor. A última cena foi frustrante.

Apesar dos tropeços, no final das contas, Mulheres Ricas cumpriu sua difícil missão e foi além: tornou-se mais do que um reality, virou um belo programa de humor e um grande entretenimento, que afinal é a principal função da televisão. Quem conseguiu se livrar do preconceito e encarou essas mulheres como personagens delas mesmas, encontrou um programa que vai deixar saudade.

Brunete Fraccaroli fala sobre sua participação em “Mulheres Ricas”

Odiado por uns, amado por outros, o programa Mulheres Ricas, da Band, é um dos assuntos mais falados do primeiro trimestre de 2012. O reality, que durante 10 episódios acompanhou o dia a dia de cinco mulheres da alta sociedade, chega ao fim amanhã. O Apanhado Geral bateu um papo rápido com a arquiteta Brunete Fraccaroli, participante que mergulhou de cabeça no programa, participou da maioria dos encontros entre as ricas, e agora acompanha ativamente a repercussão em contato direto com os fãs. Confira:

 Você decidiu participar do programa de imediato? O que te levou a aceitar?

Não aceitei logo de cara pois achei o nome pejorativo para um Brasil pobre. Depois de muitas reuniões com os diretores do programa, entendi que seria um blend, e resolvi me divertir fazendo algo diferente.

Você é a participante que mais esteve nos encontros com as outras, nos eventos… Percebe-se que você se entregou de corpo e alma ao programa. O que mudou na sua rotina quando estava gravando e agora com a repercussão?

Nada mudou na minha rotina, apenas acrescentei as câmeras ao meu dia. Amei todos os encontros com as ricas.

Como era o dia a dia das filmagens? Uma equipe te acompanhava apenas durante momentos importantes?

A equipe me acompanhava o tempo todo. Eu achava engraçado todas aquelas luzes, mas fazia de conta que elas não estavam ali.

Deu mesmo para criar uma amizade com as outras participantes? Como está a sua relação com a Val?

A minha relação com as participantes está ótima, acabei de falar com a Narcisa e com a Lydia. Estou torcendo pela Débora na Formula Truck. Gosto da Val, não gosto das suas atitudes.

O programa ajudou ou atrapalhou a sua carreira?

Nem ajudou, nem atrapalhou. Segui normalmente minha carreira como arquiteta.

Qual foi o melhor momento desta temporada pra você?

O passeio de Angra, que foi o primeiro encontro com a Val. Conheci o João, que é um doce, cozinhei, me diverti.

Como você pretende capitalizar essa fama a partir de agora? Você continua procurando um novo amor ou era coisa do programa?

Não estou procurando um novo amor, são meus amigos que acham que eu deveria ter alguém. Capitalizar esta fama, não sei bem como. Quero ser eu mesma, uma boa mãe e amiga.

O que você vai mudar na sua participação caso aconteça a segunda temporada?

Espero focar mais na minha profissão, meu lado profissional, que ainda não foi explorado.