Arquivo do mês: outubro 2014

Geração Brasil investiu em tecnologia, mas esqueceu sua trama

Geração Brasil

Quando entrou no ar, Geração Brasil foi cercada de expectativas. Os autores Felipe Miguez e Izabel de Oliveira vinham de uma estreia de sucesso, com Cheias de Charme, e grande parte do elenco estava de volta. Porém, logo nos primeiros capítulos, as melhores impressões foram quebradas e a novela revelou-se modernosa demais e com história de menos.

Inspirados pelo sucesso de Cheias de Charme, que tinha a internet como grande parceira, os autores investiram ainda mais na modernidade, mas a falta de uma trama consistente e o grande número de quadros, que em nada faziam a história andar, prejudicaram o envolvimento do público com a novela. O excesso de programas e realities, cansativos e nada empolgantes, afastou o telespectador.

Soma-se a isso o fato de que novelas que trazem tecnologia como tema central geralmente não agradam o público. O caso mais significativo é o de Tempos Modernos, mas também podemos citar Morde e Assopra, cuja parte modernosa perdeu bastante espaço ao longo da trama.

Com uma história fraca, sem um casal central empolgante ou um vilão que hipnotizasse o telespectador, os atores tiveram pouco espaço para se destacar. Nem Cláudia Abreu ou Renata Sorrah, atrizes sempre impecáveis, conseguiram fazer personagens inesquecíveis. Luis Miranda talvez seja o único que tenha conseguido tal façanha, tornando sua Dorothy quase maior do que a novela.

Geração Brasil foi ainda prejudicada pela Copa do Mundo e chegou a ser exibida em flashes de cinco minutos, dando ênfase a um aplicativo com o qual os telespectadores puderam enviar vídeos caseiros. Mas o que mais prejudicou foi mesmo o esquecimento de uma máxima simples: a de que novidade nenhuma substitui uma história bem construída. Isso, aplicativo nenhum pode mudar.

Tem que ter peito

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Desde a última segunda-feira, está de volta, pelo canal Viva, a novela O Dono do Mundo, de Gilberto Braga. Exibida em 1991, a trama é mais lembrada por suas polêmicas do que por sua história. A professora Márcia (Malu Mader), seduzida pelo inescrupuloso cirurgião plástico Felipe Barreto (Antonio Faguntes), que consegue levá-la para a cama antes do marido, foi rejeitada pelo público, assim como toda a trama principal. Se, na época, a história central já pareceu meio fora do tom, hoje ela é quase ficção científica: Márcia era virgem e o médico conseguiu impedi-la de ir para a cama com o marido por quatro capítulos após o casório.

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Outra constatação fácil é de que uma trama com esse mote nunca seria aprovada nos dias de hoje, de forte patrulha moralista e dura classificação indicativa. Um exemplo dos novos tempos: a foto que abre essa matéria é a primeira tomada de O Dono do Mundo. Os seios femininos ainda apareceram em destaque pelo menos outras duas vezes no episódio de estreia. Na contramão, há algumas semanas, foi ao ar, em Malhação, uma cena em que a personagem de Helena Fernandes faz um autoexame de mama (para marcar o Outubro Rosa, campanha de conscientização contra o câncer). A exposição do seio da atriz gerou inúmeros comentários nas redes sociais e muitos telespectadores disseram que a emissora estava apelando. O assunto foi, inclusive, tema de algumas matérias, como esta aqui, de O Globo.

helena fernandes - malhacao

Embora tenha acontecido em Malhação (às 17h24), é preciso levar em conta que era uma campanha de conscientização e que a cena não teve nada de apelativa. O Dono do Mundo, apesar de polêmica e rejeitada incialmente, mais pela atitude da mocinha do que qualquer outra coisa, deve ser lembrada como uma novela de uma época em que a patrulha moralista não interferia tão fortemente no que ia ao ar. Hoje em dia, é preciso ter peito para mostrar certos temas e tocar em certos assuntos. Com o perdão do trocadilho.

*Na época da exibição original, O Dono do Mundo teve 43 pontos de média geral. A antecessora, Meu Bem Meu Mal, que também não foi sucesso absoluto, teve 49. Pedra Sobre Pedra, que substituiu a trama de Gilberto Braga, fez 54 pontos.

 

Na trilha do som: Império Nacional

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Com três meses de novela no ar, chegou às lojas o CD com a trilha nacional de Império. A tiragem inicial é de 30.000 cópias e a capa conta com a atriz Leandra Leal, uma boa escolha, já que ela é teoricamente a mocinha da novela. A foto, embora não tenha sido feita exclusivamente para o CD (é de divulgação da Rede Globo), pelo menos parece que foi. Infelizmente, a Som Livre há bastante tempo não faz um ensaio só para as trilhas, mas neste caso não compromete.

A seleção não é lá grande coisa e o maior destaque é canção de abertura, que aparece como bonus track, já que, desnecessariamente, também virá no CD internacional (nas lojas até o dia 15 de novembro). ‘Lucy In The Sky With Diamonds’ é cantada por Dan Torres, que pode não ser The Beatles, mas não faz feio. O fato de ser uma nova versão criou uma identidade para a trama, o que é positivo. ‘Ai Que Saudade D’Ocê’ ganhou uma bonita roupagem na voz de Zeca Baleiro e, tirando a da abertura, é a única que se sobressai, até por ser tema de Cristina (Leandra Leal) e Vicente (Rafael Cardoso) e já ter tocado diversas vezes.

imperio nacional

Há repetição fora do normal de músicas que já estiveram em outras trilhas de novelas, embora com outros intérpretes. ‘Ai Que Saudade D’Ocê’ é um caso, já esteve em Renascer pela voz de Fábio Júnior, porém muita gente não lembra, o que ajuda. Mas há músicas saturadas, como ‘Vem Quente Que Eu Estou Fervendo’ (Amor e Revolução e Anjo de Mim, no mínimo); Amor Perfeito (Aquele Beijo e Caras e Bocas, em versão internacional) e Enrosca (Estrela Guia). O autor Aguinaldo Silva já tinha avisado que o CD contaria com músicas que já estiveram em novelas, mas algumas canções são tão marcantes (casos dos três exemplos anteriores), que mesmo roupagens diferentes não tiram a sensação de déjà vu.

O caso mais crave é o de ‘Dona’, sucesso inesquecível na voz do grupo Roupa Nova, que embalou a antológica Viúva Porcina (Regina Duarte). Em Império, ela volta com a voz de Alex Cohen. A versão é bonita, mas dificilmente vai colar como a música de Maria Marta (Lilia Cabral). A homenagem é válida, porém, ela sempre será lembrada como uma canção de Roque Santeiro. A música, aliás, nem faz parte do CD. Junto com ‘Faz Cara de Rica’ e ‘Se Eu Largar o Freio’, que tocam muito mais do que algumas canções do disco, devem ter ficado para um provável volume 2. Caso ele não exista, a falta é grave.

Não é uma trilha marcante, mas também não é ruim e, fora as repetições, conta com outras belas músicas (como ‘Beijo de Hortelã’, de Ivete Sangalo), embora sem destaque na trama.

Voltei Pra Você*

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Mais de um ano e duas novelas das nove depois, resolvi voltar para o blog. É uma atividade que faço por puro prazer, unindo duas paixões: a escrita e as novelas. E como até nas maiores paixões vivemos momentos de incertezas, precisei esperar meu coração voltar a bater mais forte para que escrever aqui continuasse a ser algo prazeroso e natural. Assim, com o coração batendo forte, voltei. Espero reconquistar todos vocês!

*Voltei Pra Você é o título de uma novela de Benedito Ruy Barbora, que foi ao ar entre 1983 e 1984 pela Rede Globo. Ela trouxe de volta seis personagens de Meu Pedacinho de Chão, do mesmo autor. Entre as figuras que retornaram estão Serelepe e Pituca, que, já adultos, têm um envolvimento amoroso.

Pedacinho de Chão, do mesmo autor. Entre as figuras que retornaram estão Pituca e Serelepe que, já adultos, têm um envolvimento amoroso.