Arquivo do mês: agosto 2012

Zebras sempre dão as caras nos realities

Acontece, nesta quarta, a final de A Fazenda 5. Com a classificação de Léo Áquila e Felipe Folgosi, a disputa mais aguardada desta edição acabou antecipada, o que resultou na eliminação de Nicole Bahls. Completando o trio de finalistas, a grande favorita desde o começo: Viviane Araújo.  Enquanto Felipe já esteve em algumas roças e tem a simpatia de parcela do público, Léo Áquila é a grande zebra desta edição. Ela tem o terceiro lugar garantido, mas dificilmente será lembrada por ter feito algo significativo enquanto esteve confinada. Confira outras zebras que acabaram na final:

André Gabeh

Chegou na final do primeiro BBB sem ter disputado um paredão sequer. Era divertido, mas seria eliminado se tivesse ido para a berlinda antes com outros participantes, como Leka.

 

Manuela

Teve grande participação no programa por causa do romance com Tyrso, mas o público gostava mais do cozinheiro do que dela, que se envolveu também com Fabrício. Chegou à final porque venceu as provas, tirando a vaga da aeromoça Cida.

 

Carol

Era considerada da turma do “mal”, que separou Alemão e Íris, na sétima edição. Só ficou porque sobrou, já que seus amigos foram eliminados um a um, e teve apenas 9% dos votos  na final.

 

Os finalistas de A Fazenda 2

Um dos piores elencos de realities só poderia resultar em uma das piores edições do gênero. Com tanta gente apagada, a final foi entre Karina Bacchi e André Segatti. Menos emocionante, impossível

.

Realities musicais voltam para tentar sucesso nunca encontrado

Estreiam nos próximos meses três realities shows que tentarão aquilo que nenhum deles conseguiu: lançar um ídolo da música. A Globo aposta em The Voice, uma fórmula um pouco diferente do que já foi visto até agora, e a Record insiste mais um ano em Ídolos e, não satisfeita, ainda criou Ídolos Kids. O fato é que nenhum reality musical alcançou grande sucesso até agora, a identificação maior do telespectador brasileiro é com os realities de convivência.

O The Voice tem estreia marcada para 23 de setembro e conta com um time de jurados pra lá de suspeito: Carlinhos Brown, Claudia Leitte, Daniel e Lulu Santos. Com o reality, a Globo tenta voltar ao gênero que abandonou desde Fama, que até fez relativo sucesso na primeira edição, mas nunca empolgou. Os participantes que se deram bem profissionalmente estiveram longe da final, como Thiaguinho e Marina Elali.

Em Ídolos, que retorna dia 04 de setembro, a situação é um pouco pior. Além de nunca ter feito o sucesso esperado, o reality, que já passou pelo SBT, está desgastado. É difícil até contar quantas edições já foram exibidas e quais foram os campeões. Nenhum deles alcançou o estrelato. Ídolos Kids, que começa no dia 05 de setembro, pode até ser um sopro de esperança para o programa, se não vier recheado de crianças tentando ser adultas.

Um dos únicos realities musicais que conseguiu dar fama aos seus vencedores foi Popstars, no SBT, que criou as bandas Rouge e, com menor alcance, Br`oz. As meninas do Rouge fizeram sucesso dentro do limite, já que eram ignoradas pelas emissoras concorrentes. Um dos grandes problemas deste tipo de atração no Brasil é justamente esse: aqui as emissoras querem esconder a qualquer custo o que deu certo na vizinha. E assim nenhuma delas tem êxito.

 

Por falar em reality show…

A Record quis surpreender e acabou antecipando mais do que deveria uma das vagas para a final de A Fazenda. Com a vitória de Léo Áquila, um dos favoritos (Viviane Araújo, Felipe Folgosi e Nicole Bahls) ficará fora do último dia, e o terceiro lugar já está definido.

É visível a melhora na edição do programa, mas os participantes não ajudam. Depois de acertar no elenco das duas edições anteriores, a Record errou feio nesse. Fora alguns destaques, a maioria eliminada precocemente, o elenco é feito de pessoas que tentam atuar, mas acabam saindo como verdadeiros canastrões.

Trilha sonora reaproveitada é destaque de Gabriela

A regravação de Gabriela não se limita apenas a homenagear a direção e a interpretação de alguns atores da primeira versão da obra, a novela aproveita também aquilo que a outra teve de melhor: sua trilha sonora. No CD lançado este mês, 10 das 18 faixas fizeram parte da Gabriela de 1975. O artifício está longe de ser um demérito, mostra que antes de qualquer vaidade de querer inovar sem ser preciso, vem a humildade de reconhecer o que deu certo.

Seria brigar contra a própria origem ter outra música que não  fosse “Modinha para Gabriela”, com Gal Costa, na abertura. Algumas canções são eternizadas e eternizam certas obras, tornando-as impossíveis de serem dissociadas.  Foi o caso de O Astro, que manteve a clássica “Bijuterias”, de João Bosco, e o remake de Pecado Capital, que não poderia ser embalado por outra além da canção homônima.

Das músicas que voltaram em Gabriela, merecem destaque: “Alegre Menina”, Djavan, cheia de sons típicos da Bahia; “Coração Ateu”, Maria Bethânia, que deixa saudade dos tempos em que as trilhas eram boas; “Filho da Bahia”, Fafá de Belém, com ritmo marcante; e “Porto”, MPB, que tem a doçura de algumas tramas da novela.

Entre as novas canções, sobressaem-se “Me leva embora”, Ivete Sangalo; “Flor da Noite”, Nana Caymmi, que parece ter sido feita sob medida para a melancólica Sinhazinha; e a belíssima “Lindinalva”, Babado Novo.

Em tempos de trilhas descartáveis, faz um bem danado para os ouvidos escutar mais uma vez canções que nunca perderão a qualidade. O melhor de Gabriela pode ser aproveitado de olhos fechados.

Jorginho se firma como um dos personagens mais chatos da teledramaturgia

Ele nasceu pra ser galã. Interpretado pelo ator Cauã Reymond, o personagem Jorginho é o grande amor da protagonista da história, Nina, e é por eles que teoricamente o público de Avenida Brasil torceria. O amor de infância dos dois conquistou os telespectadores, mas na fase adulta pouca gente se importa com as cenas do casal. Além do foco absoluto da história ser o embate entre Nina e Carminha, contribui para a depreciação do personagem a sua trajetória morna e, principalmente, seu jeito emo de ser.

Não há uma cena em que Jorginho não esteja pensando em Nina, correndo atrás de seu passado ou chorando. É de longe um dos personagens mais baixo astral da teledramaturgia nacional.  Alguns podem até defende-lo, dizendo que tem densidade, mas a verdade é que é simplesmente um chato, fato reconhecido pelo próprio intérprete.

Com a cruzada para descobrir quem é seu pai, Jorginho atingiu todos recordes de chatice, e suas cenas são um prato cheio para mudar de canal. É um personagem que dificilmente causa identificação em alguém, o que mostra que o autor João Emanuel Carneiro errou a mão. Tudo bem que nem tudo em uma novela deve agradar, mas quando você começa a desejar que um personagem saia do mapa é sinal de que algo não vai bem. E paciência tem limite.

Malhação estreia fase nova de olho em fórmula antiga

Vale tudo para fazer Malhação dar certo, até invocar seu passado glorioso. A nova temporada do programa começou ao som de sua primeira música de abertura, o clássico “Assim caminha a humanidade”, de Lulu Santos, e com o mais popular de seus personagens: Mocotó. Acontece que o ator André Marques está longe de lembrar o galanteador que já interpretou um dia e Malhação já passou por tanta coisa, que ligar a nova fase ao começo de tudo tem seus dois lados. Ao mesmo tempo em que mostra a força da marca, que ainda existe, nos faz lembrar de uma época que dificilmente voltará. Malhação nunca mais será a mesma por diversos motivos, e o principal deles é que os tempos são outros.

Memórias à parte, a nova temporada é claramente mais próxima de seu público alvo. Além de não ter as abordagens místicas , os personagens parecem realmente ter a idade que precisam aparentar. Já os diálogos, podem até ser típicos da faixa etária, mas o didatismo de algumas cenas da estreia foi exagerado.

O retorno ao colégio se revelou um acerto, e os cenários são bem iluminados e coloridos, o que contribui para o clima “pra cima” que a história pretende ter.  Tecnicamente, o programa está muito bem feito, resta esperar que não percam a mão na dramaturgia. Tudo bem que não dá pra mostrar a realidade total no horário, ou muita bebida seria servida por ali, mas também não dá mais para ter histórias com vilãs adolescentes enlouquecidas, casamentos e outras tramas que já vemos nos demais horários. Pode ser a última chance de Malhação. Para passar de ano, basta fazer a lição de casa direitinho.

Semana homenageia centenário de Jorge Amado

O escritor Jorge Amado chegaria essa semana aos 100, e diversas comemorações acontecem no país desde o ano passado. O mais baiano de nossos escritores foi também o que melhor retratou sua terra, com personagens que alguns podem até achar caricatos, mas não negam que povoam o imaginário brasileiro.

Entra inúmeras homenagens estão a exposição Jorge, amado e universal no Museu de Arte da Bahia; o lançamento do livro Jorge & Zélia, correspondência inédita, organizado por João Jorge Amado e a novela Gabriela, exibida pela Rede Globo, às 23h. Mais informações, no site oficial do centenário: http://centenariojorgeamado.com.br/.

Para homenageá-lo, separei algumas de minhas cenas preferidas daquela que considero a melhor adaptação de uma obra literária para a TV: Tieta. Aguinaldo Silva conseguiu captar o melhor da história de Jorge Amado, manteve o espírito da obra do baiano, mas acabou construindo um produto completamente novo.

Confira:

A morte de Zé Esteves

Tonha retorna transformada

O romance de Tieta e Ricardo nas dunas

O exorcismo de Perpétua

Tieta se despede do Agreste

Sucesso de Carrossel chega à trilha e CD é um dos mais vendidos do país

Lançado há quase dois meses, o CD com a trilha sonora da novela Carrossel já ultrapassou as 50 mil cópias e foi o segundo mais vendido no país no mês de julho. Os números são expressivos, dada a crise enfrentada pela indústria fonográfica e o cuidado cada vez menor que os discos de novela estão recebendo.

O sucesso da trilha é mais reflexo da repercussão da trama do que da qualidade do CD. Não que ele seja um produto ruim, tem algumas músicas bem selecionadas, sabe tirar o melhor dos talentos de seu elenco e ainda se beneficia de clássicos como Aquarela, de Toquinho, e O Caderno, de Chico Buarque. O CD vem em digipack  e a gravadora tenta compensar a falta das letras das músicas com uma cartela com 20 adesivos brilhantes de elementos escolares e do logo da novela.

Não é a primeira vez que o SBT tem ótimos resultados na trilha sonora de uma novela juvenil. O primeiro CD de Chiquititas, lançado em 1997, conseguiu ultrapassar duas milhões de cópias e os seguintes também não fizeram feio. Foram mais de um milhão de unidades vendidas do volume dois,  mais de 700 mil do três, 200 mil do quarto e 150 mil do quinto volume.

Em tempo… A trilha sonora nacional de Avenida Brasil também é um sucesso, figurando sempre nas listas dos CD`s mais vendidos. A emissora acaba de lançar o volume dois, com músicas tão conhecidas quanto as do primeiro.  Artistas como Michel Teló, Reginaldo Rossi, Banda Xeiro de Mel, Luan Santana e Buchecha fazem das trilhas as mais populares já selecionadas pela emissora, no embalo da democratização do horário. Algumas encaixam-se perfeitamente, como aquelas que são temas dos personagens do Divino, outras parecem forçar um pouco a barra.

A Rede Globo, que lançava religiosamente as trilhas nacionais e internacionais (ou volume dois) de suas novelas, tem pisado na bola com aqueles que curtem guardar o CD com as músicas das tramas. Com as dificuldades do mercado, alguns CD`s internacionais não são mais lançados. Difícil é saber qual o critério adotado pela gravadora, já que Araguaia, por exemplo, teve poucos capítulos e repercussão pequena, mas ganhou três trilhas sonoras. Novelas como Escrito nas Estrelas, A Lua me Disse e A Vida da Gente não tiveram o segundo CD lançado, embora músicas internacionais tenham sido executadas. Em Aquele Beijo, a Som Livre adotou uma técnica diferente: vendeu a trilha internacional apenas em seu site e foi “queimando” os CD`s de acordo com a quantidade pedida. Método que pode ser usado novamente como teste em Amor Eterno Amor. Antes isso do que nada.