Arquivo do mês: julho 2012

Congelamento de Avenida Brasil entra para galeria de finais com efeitos

Há muito tempo um recurso de final de capítulo de novela não era tão comentado quanto o de Avenida Brasil. Aliás, é difícil lembrar de um efeito com tanta repercussão quanto os congelamentos que encerram todos os dias a novela das nove. Na semana passada, Zezé (Cacau Protásio) foi congelada, surpreendendo e dando fim ao quase monopólio de Nina (Débora Falabella) e Carminha (Adriana Esteves), o que fez o assunto dominar as redes sociais.

Avenida Brasil, porém, está longe de ser a primeira novela a utilizar um efeito para marcar o fim de capítulo. Jorge Fernando é o diretor que mais gosta de “enfeitar” o último take das histórias que dirige. Os capítulos de Vamp acabavam em forma de desenho; em A Próxima Vítima, o personagem virava um alvo e tinha sua imagem quebrada e em Vira Lata a língua do cachorro Zé invadia a tela.

Confira alguns encerramentos com detalhes especiais:

O congelamento simples de Andando nas Nuvens

O desenho de Vamp

Vale Tudo, na qual as cenas do próximo capítulo ainda eram utilizadas

O sugestivo encerramento de A Próxima Vítima

A pintura de Pedra Sobre Pedra

A fotografia de Celebridade

Ritmo baiano deixa trama de Gabriela lenta

Sua história se desenrola na Bahia e foi escrita por um dos maiores baianos que o país já conheceu. A trama original não é cheia de acontecimentos e Gabriela é quase uma anti-heroína. Características que fizeram do livro uma obra de êxito, deixam monótona a adaptação de Walcyr Carrasco para Gabriela, de Jorge Amado. Muito bem produzida e com uma direção primorosa, a novela é bonita de se ver, mas não envolve.

Ninguém está esperando cenas de ação, e o ritmo é até apropriado para o tipo de trama proposta, mas essa lentidão dificulta o envolvimento do público com a história. Em O Astro, no ano passado, a situação foi a inversa: a edição nervosa demais em alguns momentos, e o número de cenas picotadas, incomodava. O meio termo talvez fique para a história do ano que vem. O fato é que Gabriela não conseguiu conquistar grande parte do público jovem que o Astro fisgou, e que era alvo declarado da emissora em 2011.

Problemas à parte, Walcyr Carrasco faz em Gabriela um de seus melhores trabalho na Rede Globo. Longe dos diálogos infantilizados e de situações desnecessárias, o novelista mostra porque ganhou a confiança da maior emissora do pais. Quanto mais adulta a trama, mais o autor se destaca.

Juliana Paes não compromete a adaptação e faz uma Gabriela correta, mas a força de Sonia Braga e a interpretação que a atriz veterana deu à retirante são inesquecíveis. O elenco, fora um ou outro caso (Erik Marmo), vai bem e a trilha sonora é valiosa em tempos de Kuduro. Pra quem gosta de apreciar uma bela paisagem sem pressa de ver a vida passar, Gabriela é um prato de dendê cheio. Só não espere se empolgar.

Domingo Espetacular perde ao virar arma da Record contra inimigos

A Record usou, mais uma vez, o Domingo Espetacular para atacar um “inimigo” da emissora. A “vítima” da semana foi o presidente do Ibope, acusado de uma série de falcatruas e desvios. As acusações vieram à tona justamente na hora em que a emissora paulista enfrenta um de seus piores momentos de audiência. Com investimentos incorretos ou falta deles, mudanças precipitadas na grade e ausência de planejamento, a Record viu o SBT alcançá-la na briga pelo segundo lugar.

Ao envolver seu principal jornalístico dominical em uma briga particular, o canal faz com que ele perca cada vez mais credibilidade. A emissora, no geral, sai maculada com esse tipo de atitude, na qual deixa de passar informação relevante ao telespectador e abre espaço para uma birra própria. Ironia do destino, ou não, o programa teve uma das piores audiências de sua história. A Record comprou a briga errada, e ainda colocou quem não tem nada com isso no meio. O jeito foi mesmo mudar de canal.

Naturalidade de Catia Fonseca é reconhecida por outras emissoras

Na última semana, surgiram boatos de que a RedeTV! e a Band estariam interessadas em Catia Fonseca, apresentadora do Mulheres, da Gazeta. Com a renovação do contrato de Regina Volpato, ela dificilmente irá para a RedeTV!, mas a possibilidade da mudança para a Band ainda existe. O interesse das emissoras por Catia coroa sua boa fase na casa atual, onde pode usar e abusar de sua naturalidade.

Catia surgiu na Rede Mulher, passou pela Gazeta e se tornou conhecida do grande público quando foi apresentar o Note e Anote, na Record, para substituir Ana Maria Braga. A apresentadora, desde o começo, soube usar a simplicidade a seu favor, aproximando-se de seu público alvo por ser como ele. Catia conversa com seus entrevistados como se estivesse no sofá de casa, tira as dúvidas mais básicas com a maior naturalidade possível e evita claramente explorar a tragédia alheia.

Há alguns anos, Catia foi injustamente tirada do Note e Anote e substituída por Claudete Troiano, a quem falta essas características. A apresentadora chegou a ficar mais de um ano fora do ar, até ser chamada pela Gazeta para apresentar o Mulheres. Em uma emissora menor, Catia tem mais possibilidades de ser espontânea, mas talvez seja hora de um novo desafio. A Band está mesmo precisando de um programa carismático para as suas manhãs.  E Catia merece há tempos ser ainda mais reconhecida.

Em tempo… O interesse das outras emissoras é também por Mamma Bruschetta, personagem incorporada por Luís Henrique Benincasa, que conversa com Catia sobre o mundo dos famosos. Longe do veneno de outros “fofoqueiros” da TV, a exótica personagem faz uma bela dupla com a apresentadora e separá-las seria o mesmo que tirar o Louro José da Ana Maria Braga. Foi Catia, aliás, quem amansou Mamma, que já foi bem venenosa. A apresentadora pediu que o ator deixasse a fofoca gratuita de lado e transformou o momento deles em um bate-papo descontraído.

Na Moral é bem feito mas não empolga

Não dá pra esperar muito de um programa de debate com menos de meia hora de duração. Se aqueles que duram o dobro já não chegam a lugar nenhum, o que dizer de Na Moral, nova atração de Pedro Bial? Extremamente marcado pelo Big Brother Brasil, o jornalista leva para seu programa muitos cacoetes do reality, como sua insistência em aparecer descolado demais e acabar causando vergonha alheia.  Por outro lado, o apresentador usa sua proximidade com o grande público para tentar deixar o Na Moral mais fácil de ser digerido. Consegue algumas vezes, mas no geral não empolga.

Esta semana, a atração já ajustou alguns problemas iniciais, como a edição. O recorte em um programa deste tipo será sempre prejudicial, mas ele já não está tão duro como o do primeiro dia. Até o final da temporada, provavelmente novas mudanças devem ser feitas, e uma delas precisa ser a aposentadoria daquele tapete que faz parte do cenário.

Quando não tenta filosofar demais, Pedro Bial mostra o jornalista que é, como nas matérias externas, na maioria mais interessantes do que o debate raso do estúdio. Na Moral é uma oportunidade para Bial se distanciar do BBB, pelo menos nessa época do ano, e deixar claro que há vida pra ele fora do reality. Para isso, ele terá que abandonar sua mania de fazer discursos finais. No último programa, poetizando para concluir o assunto debatido, o jornalista deixou muita gente esperando ele dizer quem seria o eliminado da semana.

Virada de Avenida Brasil quase passa da hora

O centésimo capitulo da novela Avenida Brasil traz com ele a tão esperada virada na história, na qual Carminha descobre que Nina é Rita.  Até agora foram quatro meses nos quais, de fato, pouca coisa andou na trama. A novela empolgou porque João Emanuel Carneiro construiu personagens fortes, amarrou bem a história e usou como artifícios a tensão constante entre as personagens principais e pequenos momentos onde a história parece avançar, mas, se formos analisar mais a fundo, veremos que ela se mexeu muito lentamente.

Só há pouco tempo Nina começou a colocar a mão na massa, seduzindo Max e reunindo provas contra Carminha. Aliás, é difícil acreditar que um homem como Max consiga ficar sem ir para a cama com Nina, ou ao menos beijá-la. Ao manter a protagonista intocável, o autor se afasta ainda mais do tão falado vanguardismo que Avenida Brasil definitivamente não tem. A novela é boa, bem escrita e produzida, mas não traz nada de novo ou transgressor, como alguns alegam. Em 1899, a Tieta, de Aguinaldo Silva, foi mais moderninha ao voltar para se vingar e se envolver com o sobrinho, e uma nova classe em ascensão já havia sido retratada em Rainha da Sucata.

Avenida Brasil agora tem cerca de 3 meses (perto de 80 capítulos) para contar o restante da saga de Nina. A próxima parte da novela certamente envolverá ainda mais o público, o que deve fazer a audiência crescer. Caso as médias subam de fato, o que é muito provável, já que tramas que envolvem crimes e viradas geralmente têm audiência ascendente, a atual história conseguirá ultrapassar a média geral do sucesso anterior, Fina Estampa.  Merecidamente. A história pode não ser transgressora, mas é indiscutivelmente um sucesso.

O regresso de Betty Faria

Desta última vez, Betty Faria nem ficou tanto tempo longe das telas da Rede Globo: 4 anos, desde um pequeno papel em Duas Caras. Ela já chegou a ficar seis anos fora no ar, de 1999 a 2005. Entre a trama de Aguinaldo Silva, em 2008, e sua recém entrada em Avenida Brasil, ela ainda passou pelo SBT, na pouco vista Uma Rosa com Amor. Longe de menosprezar seu trabalho na emissora paulista, mas foi na Globo que Betty Faria construiu sua carreira por meio de papéis memoráveis como a Lucinha, de Pecado Capital, e a Joana, de Baila Comigo, até seu ápice em Tieta. O retorno da atriz na trama de João Emanuel Carneiro mostra o quanto seu trabalho faz falta.

Ao interpretar a extravagante Pilar, Betty Faria tem a oportunidade de usar uma faceta pouco explorada na carreira: sua veia cômica. Um pouco acima do tom, o que cai bem na personagem, a atriz está visivelmente se divertindo. Betty, independente do papel, tem uma interpretação forte, característica turbinada por sua postura firme e a voz marcante. Que esse retorno seja pra valer e ajude a emissora a lembrar que tem muita gente boa fora do ar e que revezar os atores faz bem para suas produções e descansa o público. O regresso de Betty nos recorda o manjado ditado “o bom filho à casa torna”. Nada mais justo. Foram atores como ela que ajudaram a construir o que a Rede Globo é hoje.

 

Em tempo: Mãe e filha em Avenida Brasil, Betty Faria e Carolina Ferraz já tiveram outra ligação na teledramaturgia. Ambas interpretaram Lucinha, personagem criada por Janete Clair em Pecado Capital, que depois ganhou um remake de Glória Perez. Elas chegaram a contracenar, em uma participação especial de Betty na regravação de 1998. Veja a cena:

 

Falando em Tieta…

A novela acaba de ser lançada em DVD. São 11 discos, totalizando 38 horas e 50 minutos de trama. Tieta é uma das novelas mais bem produzidas da história da Rede Globo, tem uma direção que não deixa o ritmo cair, trilha sonora impecável, interpretações inesquecíveis e uma adaptação magistral de Aguinaldo Silva. É talvez a melhor adaptação já feita de um livro para a TV. Pelos méritos da novela, sua edição, independente de como tenha ficado, será questionável pelo simples fato de muita coisa ter tido que ficar de fora. Com um material tão rico, fatalmente muitas injustiças aconteceram, o que vai doer nos inúmeros fãs da história.