Arquivo do mês: novembro 2011

Simplicidade de Marimar conquista público mais uma vez

Nas tardes da televisão brasileira, uma novela vem chamando a atenção. Não é a segunda reprise da aclamada Mulheres de Areia, é a terceira exibição da mexicana Marimar. Produzida em 1994, e com um fiapo de trama, a novela tem levado o SBT à vice-liderança.

Além de concorrer com a fraca e indefinida faixa vespertina da Record, Marimar tem a seu favor a simpatia de sua protagonista. Estrela absoluta em seu pais, e em alguns outros pelo mundo, a também cantora Thalia pode não ser nenhuma Fernanda Montenegro, mas segura bem os papéis que recebe e tem um enorme carisma.

Marimar tem sangue mexicano e não nega. Leva o maniqueísmo às últimas conseqüências, aposta tudo na trama principal e é cafona e exagerada, o que não é necessariamente um demérito. Ao exibir novelas importadas durante muitos anos, o SBT elevou esse tipo de trama a outra categoria. Elas ganharam uma áurea meio trash, que fascina o telespectador. Com um ar inocente, a novela cai como uma luva para o período da tarde, composto por um público eclético, que vai das crianças às donas de casa e aposentados.

Ao ter a oportunidade de assistir Marimar mais uma vez, o telespectador reencontra as novelas mexicanas na emissora que melhor soube acolhê-las, e que cuida tão mal de suas próprias produções. Cada vez que uma reprise faz sucesso, menos incentivo tem Silvio Santos para investir em produções inéditas. O dono do baú deveria é tirar uma lição do sucesso de Marimar: uma novela não precisa ter uma superprodução . Basta uma trama simples, genuína, e que toque o coração do telespectador. Mais mexicano, impossível.

Aquele autor

“O amor é triunfo da razão sobre a inteligência. E é assim que eu te amo: sem entender nada, mas desejando tudo!”, disse o mocinho Gustavo (Wagner Moura) para a sua amada Heloísa (Adriana Esteves), na novela A Lua Me Disse. Exibida em 2005 no horário das 19h, e escrita por Miguel Falabella na companhia de Maria Carmem Barbosa, a novela não foi nenhum estouro de audiência, mas teve uma trama linear, diálogos fantásticos e a forte marca de um de seus autores principais. Aquele Beijo, atual novela de Falabella, segue os mesmos passos, tanto na audiência morna quanto na excelência de seu texto.

Sem grandes vilanias, perseguições ou mistérios, a trama das sete tem o ritmo das canções românticas que embalam suas cenas de amor, como a grudenta, mas eficiente, “Exato Momento”, de Zé Ricardo, tema de Cláudia (Giovanna Antonelli) e Vicente (Ricardo Pereira). O casal não se conheceu em nenhuma explosão, nem ele chegou  salvar a vida dela, mas vivem de coincidências, como nas melhores comédias românticas do cinema.

Além do narrador, figura até então inédita na teledramaturgia, a história inova em pequenos momentos, como naquele que aconteceu semana passada, quando grande parte das personagens, dividindo a tela, começaram a dizer o que achavam indispensável em um bom marido. Um charme, que faz com que a novela tenha uma cara diferente, mas que também pode dar um ar sofisticado e afastar os telespectadores mais convencionais, que atualmente se deliciam com Fina Estampa.

Cheia de referências, homenagens e inspirações, a começar pela abertura, Aquele Beijo tem, sim, os tipos excêntricos que são a marca de Miguel Falabella, mas o que move a maioria de seus personagens é o amor e a busca pela felicidade. Apostando nos pequenos momentos, e com um texto de qualidade acima da média, o autor vai construindo uma novela que pode não ser nenhum sucesso popular, mas que tem seu valor. Muito conhecido pelo escracho, Miguel Falabella vem se revelando um dos mais românticos de nossos autores.

 

Vidas em Jogo revela segredo e Denise Del Vecchio comenta

Aconteceu essa semana na novela Vidas em Jogo, da Record, a revelação do segredo de Augusta (Denise Del Vecchio): a personagem é transexual. Embora a possibilidade já tenha sido levantada em alguns veículos, o desenrolar da trama surpreendeu a maioria dos telespectadores e fez bem à audiência, que conseguiu média de 15 pontos e picos de 19.

A revelação veio em boa hora, a história estava morna e precisava de um novo fôlego e alguma repercussão. Vale destacar a interpretação de Denise Del Vecchio e a classe com que a autora Cristianne Fridman abordou o assunto. A novela poderia ter seguido o caminho fácil de usar um homem travestido, mas além de revelar a trama logo de cara, o resultado seria a caricatura da grande maioria dos casos. Outra novela que tratou do assunto com dignidade foi As Filhas da Mãe. Na história de Sílvio de Abreu, Cláudia Raia interpretava Ramona, uma das protagonistas da história.

Intérprete de Augusta, a atriz Denise Del Vecchio conversou com o Apanhado Geral sobre a personagem, a novela da Record e sua carreira. Confira:

Em que momento você ficou sabendo qual era o segredo da Augusta e qual foi a sua reação?

Fiquei sabendo quando a novela estava há mais ou menos dois meses no ar. A Cristtianne me chamou para uma reunião e me disse que havia essa possibilidade, mas que eu tinha total liberdade para recusar. Vi nisso uma grande oportunidade para realizar um trabalho mais específico na novela e, claro aceitei. Fiquei apreensiva , pois é uma grande responsabilidade profissional e pessoal. Um assusto delicado que precisa ser discutido com honestidade e cuidado para não ferir ninguém.

Quando tomou conhecimento da transexualidade da personagem, você foi pesquisar sobre o assunto? Mudou alguma coisa na sua interpretaçāo?

Não mudei nada na interpretação. Desde o princípio fiz a Augusta uma pessoa recatada, sem glamour, que prefere passar desapercebida, que tem algo a esconder. Fiz isso porque sabia que ela escondia um segredo e pela sua característica de ser muito pão dura. Uma pessoa que ama o filho e se realiza no trabalho. Tanto a Cristianne, como o Avancini, diretor geral da novela, foram bem claros no sentido de que eu não deveria mudar nada no trabalho, que ela é uma mulher.

É a sua personagem mais polêmica na televisão?

Acredito que sim. Mas é uma questão que está pedindo espaço para vir a luz. Tem aparecido algumas pessoas com coragem para assumir sua condição publicamente e exigindo seu reconhecimento pela sociedade. Uma das principais características da Cristianne como autora é encarar os temas atuais sem ser panfletária, mas contando as particularidades, alegrias e dores de seus personagens.

Quais serão os próximos passos da personagem? Acredita que ela possa ser uma das próximas vítimas do bolão ou mesmo a assassina?

O que sei até agora é que ela continua hospitalizada depois do enfarte que sofre, quando é rejeitada pelo filho. Como todos os outros integrantes do bolão há a possibilidade dela ser assassinada   ou ser assassina. Isso não muda.

Qual é o balanço que você faz da novela até agora? Acredita que a demora da emissora na produção da próxima trama, levando Vidas em Jogo a uma longa duração, pode prejudicar a trama?

A audiência da novela tem crescido semana a semana. Como são dez protagonistas, membros do bolão, há muita coisa para contar e não acredito que a duração vá prejudicar o desenvolvimento da trama. Claro que para a autora exige um esforço suplementar para chegar ao final.

Você tem passagens por diversas emissoras, sem nunca se prender a nehuma delas. Era uma opção? O que a levou a ter esse vínculo com a Record, onde você tem trabalhos regulares há alguns anos?

Realmente trabalhei em todas as emissoras, desde a tv Tupi e não me arrependo nem um pouco. Isso me deu experiência com diretores, autores e colegas variados . Trabalhei em diversos esquemas de produção. O teatro também é uma atividade muito constante em minha vida e nunca deixei de fazer. Isso me possibilitou viver da minha profissão todos esses anos sempre mudando de empregador. O que mais me chamou atenção , quando recebi o convite para trabalhar na Record, foi a possibilidade do novo. De estar junto com o surgimento de uma nova central de produção de teledramaturgia. Estou muito satisfeita com os trabalhos que tenho feito lá e com o respeito com que a casa me trata.

Revolucionária

No ar como a Jandira, da novela Amor e Revolução, Lúcia Veríssimo tem um grande ponto em comum com sua personagem: luta por tudo aquilo em que acredita. Com papéis marcantes na carreira, a atriz é uma mulher de opiniões fortes. Em entrevista ao Apanhado Geral ela falou sobre a novela do SBT, a saída da Globo e as novas apostas de sua carreira. Confira:

As gravações de Amor e Revolução já terminaram. Qual o balanço que você faz da novela e da experiência no SBT?

A novela era o projeto que a TV brasileira precisava para dar uma modificada no cenário televiso nacional, mas não teve dentro da emissora a mesma visão. Acho que fomos extremamente prejudicados com a falta de regularidade do horário. Por exemplo, na estreia tínhamos no horário anunciado para o início, a marca de 2 dígitos e como não começou na hora esse número declinou. Entrou no ar com 45 min de atraso. Eu mesma até hoje não sei o horário da novela. O público que assiste o programa que antecede a novela, não é o mesmo que assiste a novela, então o fato de não entrar no horário certo, dificulta você conseguir a assiduidade dos telespectadores. Eles desistem.

O fato de ter estreado com muitos capítulos escritos e gravados fez com que as mudanças necessárias demorassem a acontecer. Isso prejudicou a novela?

Eu sou a favor de uma frente. Mas não acho que podemos trabalhar com uma frente maior do que 24 capítulos o que equivale 1 mês de antecedência para uma novela de segunda a sábado e no caso de uma novela de segunda a sexta, acho que a frente deveria ser de 20 capítulos. Com esses números, você não fica vulnerável e ao mesmo tempo pode ter tempo hábil para acertar arestas. Enquanto estávamos gravando, tínhamos uma frente de 45 capítulo e agora essa frente aumentou barbaramente. Não sei mais precisar. Os capítulos foram divididos e não sei qual critério foi usado para essa edição. Sei que terminei de gravar em agosto e estamos longe do final, que não sei quando se dará.

O que te levou a aceitar o convite do SBT após tantos anos na Globo? O fato de ter sido pouco requisitada pela emissora carioca nos últimos anos pesou muito? 

Em primeiro lugar pelo projeto. Eu fui fisgada pela possibilidade de contar uma história que foi varrida para debaixo do tapete e que é de suma importância trazê-la a tona. O brasileiro precisa saber o que, de fato, aconteceu naqueles anos de chumbo. Uma nação que tem consciência do que se passa na sua política, pode estar mais preparada para não aceitar determinados padrões de conduta. Acho também que a TV tem a obrigação principal de informar e essa informação do que os anos de repressão fizeram na nossa sociedade ficou obscura. E essa obscuridade aumentou a alienação. E também tem o aspecto de que se não mexermos na ferida que não cicatrizou perfeitamente, ela pode voltar a abrir. Ou seja, se não houver uma investigação real e uma punição aos culpados, quem nos garante que novamente não soframos do mesmo mal? E quanto a emissora carioca, de fato, há muito seu interesse por mim já não mais é o que era em outros tempos. Também me tornei uma pessoa desagradável no que se refere aos novos padrões escolhidos e acabo reclamando deles. Ninguém gosta de trabalhar com quem reclama de seus métodos.

Você é uma pessoa que sempre contestou, lutou pelas suas idéias e defendeu aquilo que acreditava. Você acha que o ator deve divulgar suas opiniões, participar de campanhas políticas? 

Acho que mais do que um dever, deveria ser uma obrigação. Eu compactuo com a ideia de que não é a toa que me foi dado o direito de ser uma formadora de opinião. Tenho o dever de, através das minhas palavras, fazer valer as causas que me identifico e defendo. Não acredito que me foi dada a fama para tirar fotos ou autógrafos.  Quando um admirador/a chega a mim falando que uma determinada coisa que eu disse fez com que ele/a revesse seu ponto de vista sobre aquilo e que o fato d’eu ter dito deu força para que ele/a mudasse sua ação, já me vale estar aqui e fazer o que faço.

A peça Usufruto, escrita por você, nasceu de questionamentos próprios? 

Não. Nasceu da minha indignação com o enorme retrocesso a qual estamos aprisionados. Sou uma mulher que viveu sexo, drogas e rock’n roll, lutou contracultura acreditando que chegaria aos 50 anos vendo um mundo melhor e chegou vendo uma caretice sem fim, coberta por uma camada muito grossa de hipocrisia. Foi dessa revolta.

Você pretende escrever outra peça? Tem vontade de se aventurar neste campo na TV? 

Pretendo e estou escrevendo vários projetos novos. Penso sim em escrever para TV. Penso em escrever um seriado ou mini série. Não sei se terei estrutura para escrever uma novela. Também estou fazendo o tratamento cinematográfico de Usufruto. E quero escrever outros roteiros. Também comecei a escrever minhas memórias. Acho que já tá na hora de ordenar as coisas no papel. Vamos ver onde vou chegar e quanto tempo vou levar.

Você dará um workshop em São Paulo, entre novembro e dezembro, que vai trabalhar em cima do texto “O Beijo no Asfalto”, de Nelson Rodrigues. Por que esse texto? 

Não pretendo ficar apenas nesse texto, na verdade, minha vontade é rever toda a obra desse autor que conto como sendo o um dos mais instigantes e polêmicos ao lado de Plínio Marcos que é meu outro autor nacional preferido. Esse dois me fascinam. Eles escrevem esfregando na nossa cara esses aleijões da raça humana, como diz com tanta propriedade Plínio. A forma como eles exploram as distorções de caráter dos seus personagens me hipnotiza. Passeiam nessa atmosfera de crítica à sociedade e sua hipocrisia de uma forma genial. Com a  proximidade do centenário de Nelson, eu me questionei por que ainda não havia trabalhado em cima de uma autor que eu admiro e respeito tanto e resolvi fazer o curso. Meu desejo é que eu possa trabalhar todos os textos dele. Vamos ver como resultará esse primeiro e definirei o que virá a seguir.

É a primeira vez que você dá um workshop? É uma forma de se reciclar também? 

Eu tive um curso de teatro nos anos 80 que era um chamado Grupo de Teatro Na Mesma Canoa. Mas nesse eu trabalhava com crianças. Fazia infantis. Trabalhava principalmente texto de Pedro Veiga e Pernambuco de Oliveira. Autores infantis que adoro. Sem dúvida que dando aula também me revejo. Estou montando as aulas e já tem sido sensacional. Estou abrindo visões incríveis sobre esse texto e sua interpretação. Também estou revendo meu olhar sobre Nelson. Tudo que você faz dentro do teatro é uma reciclagem. O ator precisa do teatro seja de que forma for. É no palco que ele se recicla.

As novelas dos anos 80 e 90 são sucesso e geram bastante repercussão através do canal a cabo Viva. Você tem saudade daquela época? As novelas eram melhores? 

Uma enorme saudade. Assisto o canal Viva e fico emocionada. Não era a troco de nada que éramos considerados os melhores do mundo nessa “modalidade”.  Era uma TV diferente também. Uma novela de sucesso fazia 98 de ibope. Hoje em dia pra fazer sucesso você precisa de 44. Mas não tínhamos a TV fechada, mas pra te dizer a verdade, penso mesmo que se tivéssemos novelas como as que fazíamos naquele tempo teríamos um resultado bem melhor do que temos hoje em dia. Me lembro de novelas que marcávamos de nos encontrar para qualquer coisa só depois da novela. Me lembro que de uma novela que quando estava no ar nada mais acontecia. Estava fazendo teatro nessa época e resolvi colocar uma TV no saguão e convidar as pessoas para virem assistir conosco a novela, antes do espetáculo. Nós do elenco também assistíamos e esse negócio de gravar para ver depois não era coisa fácil. Antigamente um autor escrevia muitíssimo bem para poucos personagens. Hoje esse número  de personagens é o dobro e muitas vezes o triplo. Fica difícil escrever para tantos com profundidade. Tínhamos no máximo 3 diretores trabalhando na novela. Na verdade era um diretor geral, um diretor de estúdio e um diretor de externas. Hoje em dia uma novela não tem menos do que 6 diretores trabalhando em seis frentes. Conversei com um diretor da Globo sobre isso e ele me respondeu, “mas hoje em dia LV os capítulos tem muitas vezes mais de 60 cenas, precisamos abrir muitas frentes. E eu contra argumentei , mas são cenas sem nenhuma profundidade. Melhor se aprofundar nelas e escrever menos cenas, não? Cito como exemplo a novela A Favorita. Tinha pouquíssimos autores, cenas profundas e atores incríveis. Resultado: máximo. É uma novela com os padrões antigos. Não gosto do pensamento que damos ao povo o que eles querem. A TV de antigamente dava qualidade e o povo ia atrás. Ao contrário do que afirmam, podemos e devemos mudar a TV. Não podemos nivelar por baixo. Temos que novamente subir o nível. Mas sinto isso não só na TV. O Teatro também está numa fase de superficialidade terrível. É uma pena. Não gosto de nada superficial, gosto de profundidade Isso não quer dizer que você precise ter apenas grandes dramas. O besteirol dos anos 80 era comédia rasgada, mas tinha conteúdo, crítica, profundidade. Hoje em dia só besteira. E não me venha dizer que o povo gosta disso, pois tenho exemplos magníficos de teatro bom, com profundidade que ainda faz enorme sucesso. Graças a Deus. Então deveríamos rever nossas produções e mudar o nível também no teatro.

Qual dos seus trabalhos você gostaria de rever e por quê? 

Você diz trabalho da TV que eu gostaria que reprisasse? Eu adorava Delegacia de Mulheres.

Manoel Carlos define sua próxima Helena

Em entrevista ao jornal Extra, Manoel Carlos revelou que, ao contrário das notícias que davam Lilia Cabral como sua última Helena, a escolhida é a atriz Julia Lemmertz. O autor quer terminar o ciclo de sua famosa personagem com a filha da atriz que a interpretou pela primeira vez. A decisão, além de ser justa com Julia, faz todo o sentido.

Lilian Lemmertz viveu Helena na novela Baila Comigo, em 1981, e determinou as bases da personagem que depois seria interpretada pelas atrizes Maitê Proença, Regina Duarte, Vera Fisher, Christiane Torloni e Taís Araújo. Ao escolher Júlia como protagonista daquela que deve ser sua última novela, Maneco presta uma bonita homenagem a sua criação.

No ar como Ester de Fina Estampa, Julia Lemmertz está mostrando que tem potencial para o desafio que vai encarar em 2013. Além de estar bonita em cena, ela tem emprestado a emoção necessária ao drama da mulher que sonha com um filho. Apesar da história ainda não ter pegado ritmo, como a maioria das tramas paralelas de Fina Estampa, Júlia é, até o momento, a melhor coadjuvante da história.

Ao jornal, Manoel Carlos disse que nunca cogitou Lilia Cabral, e que ela se encaixa melhor em suas antagonistas. A própria atriz, na época em que surgiram os primeiros boatos de que interpretaria Helena, disse brincando que antes de aceitar precisava saber como seria a “vilã” da história. Batendo de frente com as Helenas de História de Amor, Páginas da Vida e Viver a Vida, Lilia construiu personagens inesquecíveis (Sheila, Marta e Teresa, respectivamente). Uma das atrizes preferidas do autor, ela deve mais uma vez ser a pedra no sapato da Helena. Assim, além de aposentar a personagem em alto estilo, ele mantém o que costuma dar certo no seu devido lugar.

Globo escala Mayana Neiva como protagonista e evita repetição

A atriz Mayana Neiva está colhendo os frutos de seu bom trabalho em Tititi. Gravando a minissérie Dercy, que estréia em janeiro do ano que vem, ela já está escalada para ser uma das protagonistas da próxima novela das seis, ainda sem título definido. A escolha de Mayana para um papel de destaque é um alento à repetição de atores em personagens parecidos ou escalados em um curto espaço de tempo entre um trabalho e outro.

Enquanto na minissérie sobre Dercy Gonçalves ela será amante do marido da protagonista, na novela de Elizabeth Jhin ela dará vida a Elisa, alma gêmea do personagem de Gabriel Braga Nunes. A paraibana, que foi lançada na TV por Luiz Fernando Carvalho em A Pedra do Reino, teve Maria Adelaide Amaral como sua maior parceira no veículo até agora. Ela já trabalhou com a autora em Queridos Amigos, Dalva e Herivelto – Uma Canção de Amor e Tititi, sua primeira novela. Ao interpretar Desirée, Mayana foi um dos destaques da trama das sete e mostrou ter talento e carisma suficiente para estar na linha de frente de uma produção.

Com a escalação da atriz, a Rede Globo reafirma que vem apostando alto em seus novos talentos, abrindo o leque de galãs e mocinhas disponíveis. O par romântico de Mayana em Tititi também já protagoniza uma novela. Rafael Cardoso está à frente de A Vida da Gente, e cumpre bem o seu papel. Ao dar oportunidade aos novatos que se destacam, a emissora evita desgastar a imagem de seus atores. Os maiores exemplos de desgaste são Cauã Reymond e Bruno Gagliasso, escalados à exaustão. Mayana tem muito trabalho pela frente, e o desafio de evitar que a overdose televisiva que viverá no próximo ano torne-se uma constante em sua carreira.

No gogó

No capítulo desta terça-feira, Fina Estampa marcou 43 pontos de audiência no grito. O retorno de Pereirinha (José Mayer) fez com que Griselda (Lilia Cabral) tivesse uma reação um pouco fora de tom. Não que a personagem precisasse receber o marido de braços abertos, mas o que se viu foi uma gritaria exagerada que chegou a incomodar. Wolf Maya, conhecido como um grande diretor de atores, já perdeu a mão algumas vezes na novela de Aguinaldo Silva. Assumidamente acima do tom em certos momentos, Fina Estampa tem apresentado cenas importantes com falhas e clima equivocado, como a do assassinato cometido pela vilã e a da briga da protagonista com sua inimiga. Enquanto Lilia exagerou, José Mayer entrou bem, mostrando-se à vontade em um papel diferente do sedutor que geralmente faz. Apesar da derrapada, a audiência aprovou, o que mostra que ainda vem muita gritaria por aí. Preparem os ouvidos.