Arquivo do mês: novembro 2010

5 razões para o sucesso de Tititi

1 – Os Protagonistas

Assim que surgiram as primeiras notícias de que a Rede Globo faria um remake de Tititi, foram inevitáveis as especulações sobre que atores interpretariam os protagonistas da história, imortalizados por Luiz Gustavo e Reginaldo Faria. Uma comparação ruim, e críticas devastadoras, poderiam colocar todo o sucesso da novela a perder. Alexandre Borges e Murilo Benício tiraram o desafio de letra e construíram personagens completamente diferentes da primeira versão, mas não menos carismáticos e sedutores. Alexandre Borges às vezes exagera na caricatura, mas nada que comprometa seriamente o trabalho. Com os protagonistas brilhando, grande parte do sucesso já estava garantido, e a trama conseguiu afastar o fantasma das comparações.

2 – Cláudia Raia

No lançamento da novela, Claudia Raia foi anunciada como uma terceira protagonista. A atriz poderia ter sido apagada pelo duelo dos costureiros ou pelo par central da trama (Edgar e Marcela), mas construiu uma personagem inesquecível. Jaqueline se tornou a grande estrela da novela, brindando os telespectadores com momentos impagáveis.  Em Tititi, ter a Cláudia Raia em cena é diversão garantida. No futuro, quando lembrarem deste remake, a atriz terá destaque certo como uma das grandes responsáveis pelo sucesso da história.

3 – O clima da trama

Tititi tem vários elementos que contribuem para criar um clima que há muito tempo não se via em uma trama televisiva. A novela tem cara de novelão das sete. Os cenários são claros e as externa são bem solares, o que deixa o clima sempre pra cima. Os diálogos de Maria Adelaide Amaral são um primor, e  brincam direto com novelas antigas e papéis anteriormente interpretados pelo elenco da trama. Jorge Fernando é mestre em dirigir para o horário, e desta vez está especialmente inspirado. O diretor adora usar soluções gráficas nas passagens de cena e nos finais de capítulo, e aqui o ingrediente faz muito bem à história. A novela tem ainda uma pitada dos anos 80, década em que a versão original foi exibida. É algo bem sutil, mas que faz toda a diferença em uma trama que sabe ser moderna sem negar as origens.

4 – Mayana Neiva

E nasce uma estrela… Em seu primeiro papel de destaque após pequenas participações, Mayana Neiva interpreta uma das personagens mais encantadoras dos últimos tempos. Desiree é ingênua sem ser chata graças ao carisma da atriz, que por ser grandona, lembra muito a Cláudia Raia em início de carreira. Vale destacar que o time de coadjuvantes da novela é muito bem escalado, e até a Isis Valverde, que estava ruim de doer em Caminho das Índias, está fazendo um bom trabalho. É difícil achar uma interpretação fraca, resultado de uma boa escalação combinada com uma eficiente direção de atores.

5 – Trilha Sonora

Se tem uma coisa que todo mundo concorda é que nenhuma outra música poderia ser usada na abertura a não ser a canção de Rita Lee, utilizada também na introdução da primeira versão. A música tem todo o clima da história e é a famosa “música chiclete”, basta tocar uma vez que já fica na cabeça das pessoas. As canções escolhidas para embalar as histórias misturam lançamentos e musicas jovens, com temas e cantores de outras décadas, uma homenagem aos anos 80. Aventura, de Eduardo Dussek, tem todo um clima nostálgico. Outros destaques são Sei Lá, de Rick Vallen, que acompanha as cenas de Marcela, e True Colors, uma gravação de Alessandra Maestrina que deu o tom certo ao romance de Osmar e Julinho. Se uma cena embalada pela música errada pode até acabar com o clima pretendido, Tititi está longe de correr este risco. Sua trilha é um acerto do começo ao fim.