Por que Ísis e Luma de Oliveira saíram de Meu Bem Meu Mal?

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Foi ao ar, na última semana, o assassinato de Ana Maria, personagem de Luma de Oliveira em Meu Bem Meu Mal, novela em reprise no Canal Viva. Alguns capítulos antes, aconteceu o sumiço de Mimi, personagem de Ísis de Oliveira, irmã de Luma, importante para a história, já que ela havia arquitetado toda a vingança contra Isadora (Silvia Pfeifer).

A saída de Ísis foi decidida pela direção da trama, pois a atriz vinha faltando a algumas gravações e fez uma viagem repentina de final de ano (virada de 1990 para 1991). Ísis disse que chegou a avisar a alguém da produção que se ausentaria, informação negada pela Globo na época. Cassiano Gabus Mendes, autor da novela, criou um diálogo em que o marido de Mimi, Toledo (Sérgio Viotti), conta a Doca que a “esposa havia sido demitida por excesso de faltas ao trabalho”, fazendo um paralelo com o desligamento da atriz.

Luma, contrariada com a saída irmã e em início de namoro com o empresário Eike Batista, também começou a dar problemas para a produção, com atrasos e faltas, e dizem que abandonou definitivamente a trama ao descobrir a sua primeira gravidez. Ela nem voltou para gravar a morte da personagem, que teve que ser registrada por uma modelo de costas. Em seu caso, a saída até trouxe algum frescor para a trama de Valentina (Yoná Magalhães), mas a viagem de Mimi deixou um arranhado na trama principal, afinal, o que a faria abandonar no meio uma vingança que parecia tão importante para ela?

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O barulho de Lucy Alves

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Velho Chico é uma novela de grandes atuações e conta com um elenco de peso, com nomes consagrados como Antonio Fagundes e Christiane Torloni. É uma novata, porém, quem tem chamado a atenção, até pelas características de sua personagem: Lucy Alves, que interpreta a Luzia. Lembrada em suas primeiras aparições na trama como “a menina da sanfona do The Voice”, ela conseguiu mostrar, em poucos capítulos, que não está ali à toa.

Nas últimas semanas, com os embates com Tereza (Camila Pitanga) e o medo crescente de perder o marido, Luzia tornou-se um prato cheio para Lucy brilhar. A atriz tem transmitido toda a amargura da personagem na medida certa, destacando-se no meio de veteranos e nos fazendo esquecer que é quase uma menina, com os 30 anos recém completados disfarçados por uma maquiagem sutil. Lucy tem ainda a seu favor uma característica das grandes atrizes: consegue transmitir emoções apenas com o olhar, o que conta muito em uma novela carregada no drama, na qual cenas pesadas podem facilmente descambar para o exagero. Lucy consegue ir no limite e voltar, e é aí que mostra seu valor.

A trama das nove é a primeira aparição dela como atriz na TV (no teatro, atuou no musical Nuvem de Lágrimas, no ano passado), anteriormente havia feito um teste para a minissérie Dois Irmãos (já gravada, mas ainda inédita na Globo), na qual ela viveria uma índia, mas não foi aprovada. Apesar de não ganhar aquela personagem, teve o reconhecimento do produtor de elenco da produção (o mesmo de Velho Chico) de que havia ali um talento genuíno, pronto para ser lapidado. A oportunidade veio com a novela de Benedito Ruy Barbosa.

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Lucy Alves é paraibana e participou da segunda temporada do The Voice, sendo finalista do time de Carlinhos Brown. Antes do programa, ela já cantava com a família, no grupo Clã Brasil, formado por suas três irmãs, seus pais e ainda dois filhos de um amigo do pai. O grupo lançou alguns CDs e um DVD, sempre com influências do baião e do forró, que ela manteve em suas apresentações no The Voice Brasil. Lucy entrou no programa cantando ‘Qui Nem Jiló’ e conseguiu virar as cadeiras de Lulu Santos e Carlinhos Brown, escolhendo o último como técnico. Nas batalhas, duelou com Krystal e foi a preferida do cantor; na fase seguinte, a tira-teima, foi uma das mais votadas e novamente permaneceu pelas mãos do técnico; nos shows ao vivo, recebeu 61% dos votos e ficou graças ao público, feito repetido na semifinal, com 67% da preferência dos votantes. Disputou a final com Pedro Lima (time Lulu Santos), Rubens Daniel (time Daniel) e o vencedor Sam Alves (time Claudia Leitte).

Cantora desde os quatro anos, Lucy agora vai se consolidando, já em seu primeiro trabalho nas telinhas, como uma ótima atriz, mostrando que pode construir uma parceria forte com a TV, assim como a de suas mãos com a sanfona.

O que falta à Liberdade Liberdade?

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Liberdade Liberdade é uma novela que, à primeira vista, tem tudo: um grande elenco, produção e direção bem cuidadas, bons diálogos e uma história que se passa em uma época riquíssima dramaturgicamente. O resultado, porém, é uma novela morna, tanto em audiência quando em repercussão, esta última mais fria do que morna, para falar a verdade.

A ‘liberdade’ do título (não só do Brasil, mas também dos escravos e das próprias pessoas) foi tratada superficialmente até o momento e a protagonista (Andreia Horta) mais se envolveu em casos isolados do que fez andar sua história e o resgate de seu passado. A trama tem sido construída mais por episódios do que por uma história central forte e coesa, que chame atenção e dê unidade para a obra.

Força é, aliás, o que mais falta ao enredo, cujo horário admite algo mais ousado, e não estamos falando aqui de cenas de nudez ou sexo. A personagem de Maitê Proença, por exemplo, que prometia ser cruel e polêmica, agora vive amedrontada pelos cantos. Zezé Polessa, que dá vida a uma “bruxa”, virou uma espécie de coringa pronto para ressuscitar um personagem sempre que necessário.

Falando na atriz, em entrevista para um programa de TV, ela mencionou que uma cena na qual sua personagem defendia o aborto foi cortada, o que mostra um pouco o caminho escolhido, não sei se pela emissora, pela direção ou pelo autor: os acontecimentos são sempre mornos para uma época tão violenta e rica de conflitos.

Como disse no começo, há todo um capricho típico da emissora e vale acrescentar que a história não é ruim, longe disso, aliás; mas a impressão que fica é que falta ao enredo o que há duas vezes no título: a tal da liberdade. Para fazer a história voar mais alto.

Curiosidades sobre a morte de Ingrid, em Laços de Família

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Vai ao ar amanhã, em Laços de Família (reprise no Canal Viva), a morte de Ingrid (Lilia Cabral), originalmente exibida no dia 03 de outubro de 2000, e uma das passagens mais fortes da novela.  A cena coroa com chave de ouro a pequena, porém marcante, trajetória da atriz na trama e mostra a personagem sendo assassinada após virar refém de um bandido em um posto de gasolina junto com filha Íris (Deborah Secco).

O desfecho trágico da personagem não estava previsto na sinopse e pegou os telespectadores de surpresa na época, pois foi divulgado muito próximo da sua exibição. Por causa da empatia que Ingrid causou em suas cenas, a ideia original era que ela fosse para o Rio de Janeiro trabalhar como enfermeira na clínica de Helena (Vera Fischer). Na nova cidade, a personagem redescobriria a vida e mudaria até a sua forma de se vestir, conforme destacou matéria do jornal O Globo poucas semanas antes da cena do assassinato ir ao ar.

A própria Lilia Cabral foi surpreendida pela decisão do autor Manoel Carlos e declarou ao programa Sem Censura (TV Brasil), em tom de brincadeira, que ficou “pra morrer” quando recebeu a informação. Ao ser avisada pelo diretor Ricardo Waddington, ela ainda foi informada de que em breve teria uma boa notícia, o que de fato aconteceu: recebeu um convite para ser uma das protagonistas do filme A Partilha, cujas filmagens aconteceram entre novembro e dezembro de 2000, logo após a saída da atriz e enquanto Laços de Família estava no ar. Não se sabe o quanto isso contribuiu para a decisão de matar Ingrid, mas Manoel Carlos declarou na época que, embora tenha pensado em manter Lilia na novela, qualquer que fosse o caminho “soaria como um remendo frente ao talento da atriz”.

A cena foi inspirada no famoso sequestro do ônibus 174, ocorrido no Rio de Janeiro no dia 12 de junho do mesmo ano, e deu à novela um pico de 54 pontos de audiência, 11 a mais do que ela vinha registrando na época.

Na trilha do som: Haja Coração vol. 1

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Saiu na última semana o primeiro volume da trilha sonora de Haja Coração, com 8.000 cópias (menor tiragem para uma trilha inicial de novela. Malhação – Seu lugar no mundo vol. 1 saiu com o mesmo número de cópias). A pré-venda começou antes mesmo da estreia da novela, e parece ser uma nova tendência da gravadora, já que Êta Mundo Bom , por exemplo, estava com a trilha nas lojas já no final do ano passado, cerca de 20 dias antes do início da trama (Velho Chico parece ser uma exceção).

A capa traz o casal principal (a sexta de Mariana Ximenes, o que nos leva a crer que a Som Livre pode variar um pouco mais), mas é coerente e o projeto gráfico bem cuidado. A seleção segue o esquema de pegar algumas canções que já são sucesso para popularizar a história e ajudar nas vendas, mas essa trilha não vai ao extremo e consegue intercalar bem com músicas mais condizentes com a história.

O Farol, de Ivete Sangalo, tem mesmo toda a cara de música de abertura de novela (já deixamos de lado a coerência da letra com a trama há muito tempo) e o CD segue com Anitta e sua Bang e Biel e sua Química (totalmente dispensáveis, visto que as músicas já estão manjadas, porém, comercialmente compreensível).

Excluindo as duas canções citadas anteriormente, a trilha até que não é das piores. Tem três sertanejas românticas, resgata duas clássicas que fizeram parte da trilha de Sassaricando (Fata Morgana e Tiro ao Álvaro) e tem as belas 7 years, de Lucas Graham, e Dois Grudados, de Carlinhos Brown. São quatro internacionais e 10 nacionais. Não chega a ser uma trilha dos áureos tempos da teledramaturgia, mas também está longe de entrar no rol das piores, conseguindo ser popular e agradável ao mesmo tempo.

Audiência de Velho Chico não vai tão mal assim…

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Há quase três meses no ar, e pintada como um fracasso em alguns meios, a novela Velho Chico conseguiu, na verdade, subir em 3 pontos a média nacional de audiência (até o momento), se levarmos em conta suas duas antecessoras (Babilônia e a Regra do Jogo) com o mesmo número de capítulos. A história de Benedito Ruy Barbosa tem 29 pontos no PNT (Painel Nacional de Televisão) até agora, contra 26 das anteriores no mesmo período de exibição. Os números poderiam ser maiores, já que, de fato, a audiência declinou levemente na segunda fase (3 pontos se levarmos em conta o PNT da semana de estreia, que foi de 32 pontos). Lembrando que o PNT corresponde à média dos 15 principais centros urbanos do país.

Os sucessos de Êta Mundo Bom e Totalmente Demais contribuíram para a “má fama” da trama das nove, já que passaram a pontuar próximo (no caso na primeira) ou alguns pontos acima (no caso da última) da novela das oito, tradicionalmente o programa de maior audiência da TV. São as tramas das seis e das sete, sucessos de audiência e repercussão, que estão/estavam com ótimos números (se levarmos em conta o padrão atual), e não a das oito que fracassou (sempre usando como parâmetro a audiência dos últimos anos). Além disso, as três principais novelas da Rede Globo estão com números cada vez mais próximos e a tendência é que isso se mantenha.

Na média geral da novela inteira, Babilônia ficou com 28,48, enquanto A Regra do Jogo conseguiu subir seus índices nos últimos meses e fechou acima de 30 pontos no PNT. Caso consiga aumentar seus números ao longo dos capítulos (o que geralmente acontece com as novelas das nove), Velho Chico tem tudo para ultrapassar sua antecessora. Será um caminho difícil, já que a novela atual tem uma trama sem picos e viradas (diferente da história policial de João Emanuel Carneiro) e precisa lapidar alguns problemas (falaremos disso mais pra frente). Fato é que, apesar de não ser um sucesso de repercussão, Velho Chico está pelo menos mantendo a audiência, mesmo sendo uma estranha no ninho das nove, já que é totalmente diferente de tudo o que vinha sendo exibido ultimamente. E um número próximo de 30 pontos (na média do país) não é algo que podemos chamar de fracasso nos dias de hoje.

Por que Evandro Mesquita saiu de ‘Mulheres de Areia’?

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Com a reprise de Mulheres de Areia, no Viva, muitas pessoas estão se perguntando o motivo da saída de Evandro Mesquita da novela (acontecimento que foi ao ar na última sexta). Na história, Joel, seu personagem, resolveu fugir de Pontal para escapar de um primo que estava chegando para cobrar uma dívida. Em 2011, em entrevista ao blog, Solange Castro Neves, colaboradora fiel de Ivani Ribeiro em suas últimas novelas, contou o verdadeiro motivo da saída do ator:

“O Evandro Mesquita, por várias vezes, recebeu “rubricas” para não mexer no texto, não colocar tantos cacos nos diálogos, mas ele tinha uma maneira própria de representar, é muito engraçado, o lado cômico ressaltava em todas as cenas e ele criava textos em cima dos nossos diálogos. Assim, para evitar maior confusão, Ivani deu um jeitinho dele passar férias no Havaí”.

Para ler a entrevista completa de Solange Castro Neves, clique aqui.

Com a saída de Evandro, Oscar Magrini entrou como Vitor para fazer par com Andréa Beltrão.